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Padre é condenado a 24 anos por crimes sexuais contra adolescentes

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Data de Publicação: 30 de maio de 2008
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POR OSWALDO VIVIANI

CASO PADRE FÉLIX

Padre Félix foi flagrado, em 2005, num quarto do Motel Fly, do Turu, com quatro rapazes, entre eles dois menores

O padre Félix Barbosa Carreiro, de 46 anos, foi condenado a 24 anos de prisão, em regime fechado, pelo juiz Itaércio Paulino da Silva, que responde pela 11ª Vara Criminal de São Luís. A sentença – proferida na quarta-feira, 28 – se refere à prática de crimes sexuais cometidos pelo padre contra seis menores. Recentemente o padre estava morando no local em que funciona o Curso Educa Net (avenida Contorno Sul, bairro Paranã, em frente ao Comercial Miranda), e onde também vivem seu irmão Fábio Carreiro, e sua cunhada Tatiane.

Fotos:G.FERREIRA/GILSON TEIXEIRA
O padre Félix estava morando com parentes no prédio da Educa Net (destaque)

Padre Félix foi flagrado, em 5 de novembro de 2005, num quarto do Fly Motel, localizado no Turu, com quatro rapazes, entre eles dois menores de idade. Ele estava sendo monitorado há dois meses pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), por denúncias que relatavam seu comportamento suspeito de aliciador de adolescentes. Foi indiciado pelos crimes de pedofilia, aliciamento e corrupção de menores e atentado violento ao pudor.

Depois de ficar 122 dias na prisão, o padre Félix foi solto, sob a alegação de que houve “excesso de prazo na formação de culpa”, já que o limite para que ele fosse julgado em cárcere era de 82 dias.

Em sua sentença de quarta-feira, o juiz Itaércio Paulino da Silva determinou que, após o trânsito em julgado da decisão, seja expedido mandado de prisão em desfavor do réu para a DPCA e os autos à Vara de Execuções Criminais. A pena deve ser cumprida no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Cabe recurso.

No processo, datado de 2006, o padre Félix é acusado de abusos contra outros seis garotos. A condenação se ateve aos casos em que o crime do padre ficou devidamente comprovado, ou seja, contra T. S. B.; P. P. S. N.; I. C. S. L.; J. W. N. S.; E. C. S. F e T. T. A - à época menores. O padre foi absolvido pelas acusações contra as vítimas A. S. R.; D. S. R. N; M. S.; A. R. R. F; R. B. C. e D. A. C. P, pela atipicidade das condutas e fragilidade das provas.

Conduta reprovável – O juiz Itaércio Paulino considerou a conduta social do Padre Félix “extremamente reprovável”, pois “a função que exercia (sacerdócio) exigia que se pautasse de maneira totalmente diversa, com retidão de caráter e comportamento, consoante os padrões morais socialmente aceitos e esperados para uma pessoa em sua posição”.

Considerou ainda “desabonadoras a natureza e a qualidade dos motivos que o levaram à prática do crime, pois utilizou-se de oferta de bens materiais, diversões e dinheiro para submeter as vítimas à exploração sexual”.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o padre Félix, por muitas vezes, em dias seguidos, abusava de adolescentes do sexo masculino, com idades entre 14 e 17 anos, submetendo-os à exploração sexual, em motéis da cidade, com práticas de sexo oral e anal, e outros atos, em que era o parceiro ativo, agindo, quase sempre, em grupo, e com outros jovens maiores, submetendo suas vítimas à orgias sexuais entre si, para sua satisfação, com a participação de Edson Corrêa Soares Filho e de uma outra terceira pessoa ainda não identificada nos autos.

Em troca, segundo informações do processo, oferecia às vítimas quantias em dinheiro e entradas em shows, boates e despesas de táxis, além de agrados com objetos de uso pessoal, como roupas, calçados, CDs, perfumes etc.

Consta ainda do processo que o padre atraía suas vítimas por meio de salas de bate-papo na internet, identificando-se com o apelido de “homem quer homem”, e o cognome de “Felipe”. De posse dos contatos telefônicos dos adolescentes, buscava-os nas proximidades de shoppings, escolas e residências, levava-os para passear em bares da cidade, e depois os conduzia a motéis, utilizando seu próprio veículo. Também usava algumas vítimas para atrair outras, induzindo-as a chamarem amigos e vizinhos adolescentes para, juntos, saírem em sua companhia.

Edson Corrêa Soares Filho, acusado de participação omissiva no crime praticado contra o menor T. S. B., foi absolvido “pela fragilidade das provas”. (Com informações da Corregedoria Geral de Justiça)

Jovem acusou padre de prosseguir exploração de adolescentes

Em reportagem especial publicada no dia 13 de abril deste ano, de autoria do repórter Aurélio Carvalho, o JP revelou que o padre Félix Barbosa Carreiro prosseguiu explorando adolescentes depois de sair da cadeia, em março de 2006.

Na reportagem, um jovem de 22 anos afirmou que teve um relacionamento amoroso com o padre Félix, que conheceu em setembro de 2006. Segundo o jovem, ele e o padre chegaram a morar juntos, no bairro Paranã.

O rapaz acusou o religioso de ter continuado a praticar exploração sexual de menores, após ser colocado em liberdade. “Terminei o relacionamento com o padre Félix porque descobri que ele não aprendeu nada com a prisão. Mesmo estando comigo, continuou utilizando salas de bate-papo da internet para marcar encontros com menores. Confesso que de tanto ele insistir, cheguei a ir com ele e um menor, a um motel. Só que quando eles começaram a fazer sexo, me senti mal, e saí de lá. Félix é um doente. Eu sei disso e ele também sabe, pois ele cansou de me pedir ajuda para curá-lo desse vício”, disse o jovem.

O adolescente também acusou o padre Félix de desviar dinheiro da igreja católica, gastando com adolescentes. “Fiz o projeto de uma ONG a pedido do padre. O projeto foi aprovado por uma instituição católica da Alemanha, que liberou 12.540,12 euros (equivalente a cerca de R$ 32 mil) para as ações. Mas acontece que o Félix gastou 6.500,82 euros (em torno de R$ 16 mil) para fundar o curso Educa Net, junto com irmão, Fábio, e a cunhada, Tatiane, dizendo que estava fundando uma ONG. O restante do dinheiro o Félix gastou com menores de idade, em farras em motéis e compra de um carro.”

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