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cidadesEntrevista Exclusiva - Bira do Pindaré

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4 de maio de 2008
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Por Waldemar Terr (Repórter de Política)

wter@uol.com.br - wter.blog.uol.com.br

ELEIÇÕES 2008

Bira desabafa: 'decisão do PT de não ter candidato próprio foi insensata e injusta'

O ex-candidato a senador pelo PT, Birá do Pindaré, afirma que a decisão do partido em não apresentar candidatura própria a prefeito de São Luís, a do próprio Bira, foi “insensata e injusta”. O petista acusa diretamente o suplente Washington Oliveira e a deputada estadual Helena Heluy pela manobra que levou a legenda a fazer aliança com o PC do B. Diz que a pré-candidatura dele aparece com dez por cento das intenções de voto e a do deputado federal Flávio Dino com apenas dois pontos.

“A decisão do PT de São Luís, sob o comando do suplente de deputado Washington e da deputada Helena, foi insensata e injusta. Insensata porque descartou uma candidatura do partido que pontua nas pesquisas na casa dos dez por cento em favor de outra que não passa dos dois por cento. Injusta porque não há um único motivo que justifique me alijarem desse modo. Sempre fui filiado ao PT e há 20 anos milito nas lutas do povo maranhense. Nunca descumpri qualquer que fosse a decisão do partido. Nunca ataquei publicamente qualquer uma de nossas lideranças. Nunca participei de qualquer ato que viesse a desabonar minha conduta ou constranger nossa militância. Sem falar que nas últimas duas eleições defendi e apoiei Helena como candidata do PT à prefeita de São Luís, embora com chances muito menores. Sinto-me realmente injustiçado”, assegura.

Do interior do Maranhão, Bira do Pindaré se graduou em direito e é mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Maranhão, e um militante histórico do PT que sempre esteve presente nas lutas populares, com passagem também pelas comunidades de base da Igreja Católica, onde iniciou; pelo movimento estudantil; e pelo movimento sindical quando presidiu o Sindicato dos Bancários. Foi também delegado Regional do Trabalho e teve atuação reconhecida principalmente pela luta contra o trabalho escravo.

A seguir a entrevista com Bira, que atualmente integra a Assessoria Especial do Governo do Estado, sendo um dos responsáveis pelo projeto Governo Participativo que cuida da relação com a sociedade civil organizada. Ele sempre apoiou Lula e ajudou na eleição de Jackson, e como candidato a senador teve mais de meio milhão de votos, a maior votação que um petista já obteve no Maranhão.

Foto:GILSON TEIXEIRA
Bira acusa Washington Oliveira e Helena Heluy de manobrarem para a aliança entre o PT e o PC do B

Na última eleição, apenas duas pessoas tiveram mais votos que ele em São Luís: Lula, atual presidente; e Jackson; com votação superior à de três ex-governadores: Cafeteira, Roseana e Castelo.

Jornal Pequeno – Qual a avaliação que você faz do resultado do processo de escolha do candidato do PT?

Bira do Pindaré – A decisão do PT de São Luís, sob o comando do suplente de deputado Washington e da deputada Helena, foi insensata e injusta. Insensata porque descartou uma candidatura do partido que pontua nas pesquisas na casa dos 10% em favor de outra que não passa dos 2%. Injusta porque não há um único motivo que justifique me alijarem desse modo. Sempre fui filiado ao PT e há 20 anos milito nas lutas do povo maranhense. Nunca descumpri qualquer que fosse a decisão do Partido. Nunca ataquei publicamente qualquer uma de nossas lideranças. Nunca participei de qualquer ato que viesse a desabonar minha conduta ou constranger nossa militância. Sem falar que nas últimas duas eleições defendi e apoiei Helena como candidata do PT à prefeita de São Luís, embora com chances muito menores. Sinto-me realmente injustiçado.

JP – Qual o impacto da decisão do PT não sair com candidato a prefeito na capital?

Bira – Se não temos candidato ficaremos ausentes do debate público e perderemos espaço na luta política e a maior chance que já tivemos de sermos alternativa real na disputa pelo poder local. Deixaremos de ser protagonistas para sermos coadjuvantes. Na campanha, perderemos o 13, um enorme tempo de televisão e, por conseguinte, os votos de legenda, diminuindo a chance de eleger vereadores, além de reduzir nossa influência nas eleições no interior. Mas, sobretudo, perderemos o brilho, pois mais uma vez iremos à reboque. Isso é negar a natureza política de um partido político.

JP – Qual é o clima junto à militância?

Bira – De total desalento. As pessoas estão desapontadas e não querem acreditar que o Diretório Municipal abriu mão de uma candidatura com tanto potencial quanto a nossa. Mas é assim. Temos que levantar a cabeça e seguir adiante.

JP – Vai acatar a decisão de se coligar indicando o vice ou há algum tipo de recurso?

Bira – Embora tenha nos faltado apenas 6 votos para obter maioria num Encontro onde o voto secreto não foi respeitado, permitindo todo tipo de patrulhamento, não há questionamentos da nossa parte que ensejem qualquer tipo de recurso. O que questionamos é a legitimidade. Como explicar que uma tese que obteve apenas 6% dos votos dos filiados tenha sido vitoriosa no Encontro? É muito difícil!...

JP – Quais os próximos passos?

Bira – Continuo aberto ao diálogo. Temos que aguardar os desdobramentos. Há muita coisa indefinida. Estamos reunindo nosso grupo e discutindo coletivamente. O desafio é como fazer do limão uma limonada.

JP – Como se dará a escolha do vice que o PT vai indicar na coligação com o PC do B?

Bira – O vice será escolhido em um novo encontro com os mesmos delegados e ele está programado para o dia 8 de junho próximo.

JP – E se o PC do B vier a entregar a vice para outra legenda, na tentativa de ampliar a coligação?

Bira – Aí a confusão será grande! A decisão do PT foi de coligar indicando a vice. Pelo que informaram os dirigentes municipais do partido, isso já está acordado. Portanto, nem cogito essa hipótese.

JP – Será candidato a vice ou a vereador?

Bira – Após a campanha para o Senado, onde saímos vitoriosos politicamente, com mais de meio milhão de votos, preparei-me para ser prefeito de São Luís, como candidato natural. Nunca me ofereci para ser vice de ninguém. Vereador, nosso grupo tem 19 pré-candidatos. Não tratamos nada a respeito ainda. O que posso afirmar é o seguinte: só assumirei tarefas dessa natureza se for pra ajudar o partido. Como não há propostas oficialmente colocadas não há o que discutir. A responsabilidade é de quem comanda o partido no município.

JP – Qual a avaliação do trabalho junto à Assessoria Especial do Governo e dos fóruns realizados pelo governo no interior do estado?

Bira – Sinto-me satisfeito com o trabalho que realizamos ali, afinal estou fazendo algo com o qual me identifico que é a participação popular. A experiência do projeto Governo Participativo é o que há de mais inovador no governo Jackson. É algo que nós petistas conhecemos bem. Já foram realizados três encontros populares com o governo, onde foram apresentadas e discutidas as demandas da sociedade civil e muitas delas já foram atendidas. Se até o final do governo forem atendidas pelo menos 70% das demandas, será um marco no estado do Maranhão.

JP – Algo mais?

Bira – Gostaria de agradecer a toda militância que acreditou e se dedicou nessa luta pela nossa indicação como candidato a prefeito de São Luís. Como não posso citar todas as pessoas, espero que se sintam representadas em lideranças como Manoel da Conceição, Sílvio Bembem, Augusto Lobato, Márcio Jardim, Domingos Dutra, Franklin Douglas, Jomar Fernandes, Valdinar Barros, Terezinha Fernandes. Também registro um agradecimento especial a Renato Simões, membro da Executiva Nacional, e o professor Pinheiro, vice-governador do Ceará, pelo empenho.

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