Um momento maior
A desenvoltura com que se movimentam certos grupos políticos na busca de emplacar candidatos a prefeito em São Luís pode gerar uma crise política dentro dos Partidos, provocando dissidências e criando sérios problemas para as lideranças partidárias.
Risco maior parece correr o Partido Democrático Trabalhista, onde militantes históricos e novos pedetistas disputam o direito de indicar candidatos e já se teme uma cisão capaz de inviabilizar um projeto político que se iniciou em 2006 e chega a 2008 cheio de dúvidas e temores.
Nesse tabuleiro do xadrez político movem as pedras sem pensar que mais importante que vencer a partida é ganhar o campeonato. E os adversários da Frente de Libertação apostam que as dissidências criadas lhes darão fôlego para impor um projeto político que o Maranhão não quis e São Luís também não há de querer.
Até o momento não se tem sequer certeza de quem é o condutor real da sucessão do prefeito Tadeu Palácio. Percebe-se, entretanto, que o governador e o prefeito estão muito mais conscientes da importância deste momento que aqueles que defendem projetos políticos pessoais. É natural que se defendam nomes nessa disputa, mas é preciso não arriscar uma vitória a qualquer custo, é preciso ter em mente que o desafio maior é a reconstrução do Maranhão dilapidado pelas forças políticas vencidas na eleição de governador.
São Luís espera um momento maior de suas lideranças. Ainda há muito o que fazer por essa cidade, muito o que mudar em áreas sensíveis da administração, muito o que vencer para que cheguemos ao ideal aproximado de destino turístico, depois que ganhamos o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.
É preciso lutar para que os interesses e projetos pessoais não tirem das forças democráticas que hoje se organizam no Governo e na Prefeitura, a oportunidade de fazer de São Luís a capital também do orgulho maranhense.
Sabemos que os partidos que se organizaram em torno da Frente de Libertação já estão preparados para isso. Mas há que se evitar que disputas internas localizadas implodam o projeto maior de vencer em nome da cidade, das conquistas possíveis e não do poder pelo poder.
Dito e posto que o Maranhão não é propriedade de ninguém, nas palavras do governador Jackson Lago é preciso também que São Luís se liberte de todas as possibilidades de voltar às mãos do grupo Sarney. A capital maranhense foi governada tempo demais, no período da ditadura militar, por prefeitos biônicos e até por deputados. Nos dias de hoje São Luís, mais livre e administrada com respeito e carinho, não pode retornar às mãos de quem a sacrificou.