Pesquisa realizada com 7.700 médicos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) revela que 44% deles sofrem de depressão ou ansiedade e 57% têm estafa e desânimo com o emprego. A prevalência de distúrbios psíquicos nesses profissionais supera em quase 11% a incidência na população em geral.
Para o professor do Departamento de Medicina da Ufma, Ruy Palhano, os dados são alarmantes. Segundo o psiquiatra, a rotina de trabalho estressante é uma das principais causas desse mal. “Um médico precisa ter três, quatro empregos para sobreviver. Isso prejudica a qualidade de vida dele e põe em risco a relação médico-paciente”, analisou.
Segundo o professor, o Brasil precisa seguir o exemplo de países como Chile e Argentina, que criaram programas de assistência aos médicos. “No Brasil existem iniciativas parecidas em São Paulo, mas é precisa criar uma política de atenção ao médico. Deprimido, esse profissional não tem condições de prestar um bom serviço à população”, destacou Palhano.
Além da saúde mental, os problemas físicos dos médicos também são preocupantes. Um em cada cinco sofre de doenças cardíacas. A mesma parcela apresenta alterações no sistema circulatório e 21,8% convivem com o mau funcionamento do aparelho digestivo.