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Pesquisa aponta incidência de erros médicos na rede de saúde de São Luís

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Data de Publicação: 29 de maio de 2008
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Por José Linhares Jr.

De 1998 a 2003 deram entrada na Promotoria de Justiça Especial de Defesa da Saúde 46 processos por erro médico movidos contra profissionais e estabelecimentos de saúde que atuam em São Luís. Estes casos foram estudados pela professora Deíla Barbosa Maia e se tornaram base de uma palestra sobre erros médicos, que será ministrada hoje, às 19h, no auditório da OAB no Calhau.

Erros médicos são causados quando um profissional de saúde, por imprudência, imperícia ou negligência, causa algum tipo de dano físico ou moral a seus pacientes.

Foto:G.FERREIRA
A professora Deíla Barbosa Maia mostra dados

de sua pesquisa sobre erros médicos

A pesquisa de Deíla, que é graduada em medicina, direito e vice- presidente da Sociedade Brasileira de Direitos Médicos e de Saúde, mostra que 70% dos casos estudados eram originários de hospitais públicos. “Nós esperávamos que este índice fosse elevado, mas ele nos surpreendeu”, disse a pesquisadora.

Entre especialidades médicas que mais sofreram processos estão: ginecologia e obstetrícia, pediatria e cirurgia geral. De acordo com a pesquisadora, uma nova surpresa aconteceu. “Geralmente as pessoas acreditam que a cirurgia geral é a mais problemática, fato desmentido pela pesquisa. Contudo, o fato de a pediatria estar em segundo lugar me chamou a atenção mais ainda. Afinal de contas, espera-se que os profissionais tenham mais cuidado quando tratam crianças”.

Entre o perfil de pessoas mais afetadas pelos erros estão mulheres de 30 anos. Além disso, a pesquisa também fez uma outra revelação: a maioria absoluta dos médicos que comete erros tem mais de 20 anos de experiência. “Acredito que o excesso de autoconfiança seja o principal motivador destes erros. Entre todos os casos analisados, apenas um foi causado por um profissional recém-formado”, disse.

Um caso inusitado chamou a atenção na pesquisa, erros ocasionados em exames médicos. Uma paciente grávida recebeu um exame de HIV positivo, depois de alguns meses ficou constatado o erro. “O marido fez o teste e deu negativo. Depois disso, o constrangimento foi seqüencial e causou muitas dificuldades a esta pessoa. Ela chegou, inclusive, a tomar medicamentos por três meses”, relatou Deíla Barbosa.

A lentidão da Justiça foi observada na pesquisa. De todos os processos, apenas cinco foram concluídos. Na maioria das vezes os advogados de defesa alegam que o profissional não teve culpa. “Alguns processos foram movidos contra maternidades. O caso é que a falta de leitos faz com que as pacientes façam uma verdadeira peregrinação pela cidade. Quando são atendidas, já estão com complicações que não são de responsabilidade do médico”, frisou Deíla.

Hoje em dia existem mais de 10 mil processos movidos contra médicos brasileiros em tribunais do Brasil. Deíla afirmou que o número pode ser ainda maior. “Em muitos cidades não existem promotorias especializadas e as pessoas optam por entrar em varas cíveis, que não possuem nenhum tipo de mecanismo que facilite a identificação destes processos. Dessa forma, é quase impossível ter um número exato do número de erros médicos no Brasil”, lamentou.

Palestra – Na palestra, que será aberta ao público, Deíla abordará o conceito de erros médico, assim como suas repercussões e os resultados de sua pesquisa. Entre o público esperado estão profissionais de direito e saúde, além de estudantes. Maiores informações sobre erros médicos no Maranhão podem ser obtidas pelo e-mail deilamaia @hotmail.com.

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