Na Casa de Detenção, em Pedrinhas, as visitas foram suspensas. No sábado, dia em que mais de três mil pessoas fazem fila para visitar os parentes presos, há promessa de que a visitação também será cancelada – o que poderá provocar revolta nos familiares e presidiários. Nas delegacias e nos plantões centrais, apenas os casos de crimes contra a vida, morte violenta, crimes contra a honra, casos de flagrante e homicídios foram atendidos. Este foi o balanço de ontem – primeiro dia de greve dos agentes penitenciários, policiais civis, escrivães e peritos criminais.

Para evitar conflito, guarnições comandadas pelo comandante Ozório, do 6º Batalhão da Polícia Militar, concentraram-se em frente ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas. “Estamos fazendo apenas um trabalho de prevenção. Vamos permanecer no local o tempo que for preciso, e se houver necessidade, pediremos apoio. Se a greve continuar no fim de semana, certamente o efetivo policial deverá aumentar. Não posso divulgar a quantidade de policiais, por uma questão de estratégia. Mas posso garantir que será um efetivo suficiente para garantir a segurança do local”, afirmou o comandante Ozório.
Motivos – De acordo com a categoria, a greve está acontecendo por conta das promessas que não foram cumpridas pelo governo do Estado. Os servidores alegam que a gratificação, que deveria ter sido acrescida aos salários em abril passado, nunca ocorreu. Além disso, não houve revisão do Plano de Cargos e Salários da categoria. “O pior é que o governo não nos dá respostas; finge que nada está acontecendo. Na última terça-feira, tivemos reunião com a secretária de Segurança Pública, Eurídice Vidigal, mas a única coisa que ela garantiu foi a gratificação de local de difícil acesso, mas somente para os servidores do interior do estado. Enfim, foi uma reunião na qual não avançamos em nada”, declarou Amon Jessen, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Maranhão.
“Estamos abertos às negociações. Na hora que o governo tiver alguma proposta palpável para nos fazer, basta nos comunicar. Caso contrário, a greve continuará por tempo indeterminado. E o governo sabe o perigo que isto significa para a cidade, já que nós vamos impedir as visitas do fim de semana – o que pode provocar uma rebelião em Pedrinhas”, alertou César Bombeiro Castro Lopes, presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Maranhão (Sindspem).
Greve – De acordo com a categoria, 434 agentes e fiscais penitenciários aderiam à greve em todo o Estado, sendo 334 em São Luís. Em relação aos policias civis, estão parados 958 agentes em São Luís, e 1625 em todo o Maranhão. “Estamos cumprindo a lei, e apenas 30% do efetivo está resolvendo os casos de urgência nas cidades”, garantiu Heleudo Moreira, presidente da Associação dos Servidores da Polícia Civil do Estado do Maranhão (Aspcema).
(Da Redação)