A VIDA E A HISTÓRIA
RIO - Os Péres do Amazonas, cidadãos ilustres, jornalistas, escritores, professores, advogados, vêm de bem longe e sempre tiveram uma relação trágica com a vida e a história.
O primeiro Péres era líder republicano no fim da Monarquia. Preso, estava mofando na cadeia quando, de manhã cedo, ouviu a multidão gritando seu nome nas ruas e invadindo a prisão. Chamou o carcereiro:
"O que é isso? Vão me linchar? Tire-me daqui logo. Deve ser essa Monarquia apodrecida querendo vingar-se mais uma vez de mim."
Não era. A multidão invadiu sua cela e o levou em triunfo para assumir o governo da Província. A República tinha sido proclamada há um mês e só chegara a Manaus naquela manhã. De canoa.
OS PÉRES
Jefferson Péres, o pequeno-grande, valente e exemplar senador que morreu de repente sexta-feira última, em Manaus, era jornalista, escritor, professor, advogado, com pós-graduação em política pelo ISEB e em administração publica pela Fundação Getúlio Vargas.
O tio de Jefferson, Leopoldo Péres, também jornalista e escritor (fundou a Associação Amazonense de Imprensa e foi secretario da Academia Amazonense de Letras), professor de português e literatura, advogado, foi constituinte do Amazonas em 1934. Em 45, elegeu-se para a Assembléia Nacional Constituinte (PSD).
No dia 26 de novembro de 48, estava relatando um projeto na Comissão de Justiça da Câmara Federal, quando caiu duro. Morreu na hora.
OS LEOPOLDOS
Leopoldo Péres, sobrinho do deputado Leopoldo e irmão mais velho de Jefferson, também foi jornalista, professor, escritor e advogado, secretario de Educação e Cultura do Estado e em 62 se elegeu deputado federal (PSD). Em 66, reelegeu-se pela Arena, que presidiu no Amazonas.
Em 82, Leopoldo Péres disputou o Senado (Arena) e ficou como primeiro suplente de Fábio Lucena (PMDB). Em 86, Lucena renunciou aos últimos quatro anos do mandato, voltou a disputar o Senado e novamente se elegeu. No dia 14 de junho de 87, numa crise de depressão, suicidou-se. Leopoldo virou titular e Áureo Melo, segundo suplente de Lucena, assumiu.
Como diria Octavio Mangabeira, o saudoso e bravo Jefferson Péres, que tão de repente se foi, tinha precedentes. Na vida e na história.
OS SILVAS
Eles custam mais caro do que todo o trono da Inglaterra custa ao Reino Unido. Na "Folha", Leonardo Souza e Ranier Bragon contaram:
1. "O PT bancou, com recursos públicos do Fundo Partidário, as taxas de condomínio de uma cobertura usada por familiares do presidente Lula, em São Bernardo do Campo, no condomínio Hill Hause. O imóvel, de nº 121 (186 metros quadrados de área útil), é no mesmo andar e fica de frente para a cobertura 122, comprada por Lula em 1996. E não foi justificada pelo partido a utilização e finalidade em área residencial."
2. "O palácio do Planalto confirmou que o apartamento é freqüentado "por pessoas da relação de Lula" e que o PT bancou os custos do imóvel de 2003 a 2007 e admitiu que familiares do presidente podem (sic) ter pernoitado eventualmente no imóvel, mas nunca foi moradia fixa de nenhum parente do presidente."
AS COBERTURAS
3. "Agora, o apartamento é bancado pela Presidência da República sob o argumento de que isso "preenche necessidade de segurança (sic) de Lula". Os funcionários do Hill Hause contaram que os filhos de Lula usam bastante a cobertura 121. Testemunharam vários pedidos de entrega no apartamento, como pizzas e pastéis".
4. "Os funcionários do prédio ouvidos pela "Folha" disseram que os seguranças ficam numa sala no térreo do edifício. Reiteraram que são os familiares do presidente que usam a segunda cobertura."
A culpa é da tal da República. Monarquia seria muito mais barato.
A TRINDADE
No Brasil, se você não tem informações exatas e está em dúvida sobre determinadas propostas, medidas ou decisões públicas, há uma receita perfeita para não errar: procure saber o que algumas pessoas pensam delas. Se forem a favor, não hesite: fique contra porque não presta. E se elas forem contra, pode apoiar porque você acaba acertando.
Não sei bem onde o ministro Mantega, da Fazenda, quer chegar com o tal "Fundo Soberano". É preciso dar um tempo para as coisas ficarem mais claras. Mas, logo de saída, atenção: o Henrique Meirelles, do Banco Central, e o Maílson da Nóbrega, de todos os governos, estão contra. Logo, o Fundo Soberano deve ser "mais melhor do que pior".
E ainda há a terceira, a Miriam Leitão, cuja opinião ainda não li. Se também ela estiver contra, aí não restará mais dúvida. Fique a favor. É uma trindade que jamais falha. Sempre contra o país.
OS JUROS
Leiam isso: "O Banco Central quer fazer o maior aumento de taxa real de juros do mundo. É puro terrorismo. O Brasil continua sendo o último peru com farofa disponível fora do Dia de Ação de Graças. Isso faz do Brasil o paraíso do investidor virtual. É o único país onde a compra de papel do governo se chama investimento. Com uma expectativa de inflação de 4,5 a 5%, a Selic deveria estar em 8,5, 9% no máximo". (Delfim Neto).
(www.sebastiaonery.com.br)