Não é fácil lidar com gente impiedosa, com aqueles que não se comovem com pobreza, a miséria, a fome e a falta de perspectivas alheias.
Tantas vezes ouvimos dizer, quando ainda se cogitava seu lançamento, que o programa Luz Para Todos poderia significar a redenção final deste país, posto que a presença de energia elétrica é a primeira exigência do progresso, que até adivinhávamos o verdadeiro encantamento que alcançaria as faces marcadas de sol do homem do campo diante do primeiro copo d’água gelada ou assistindo pela primeira vez o capítulo de uma novela.
É quando um senador chamado José Sarney resolve trazer a Gautama para o Maranhão; é quando impõe o nome de seu afilhado elétrico, Silas Rondeau, no Ministério das Minas e Energias, e o Programa que poderia ser a redenção de estados como Maranhão e Piauí se transforma num cofo de trambiques destinado a evitar a finalidade de iluminar a população rural brasileira.
Contam a história de um envelope contendo 100 mil reais. Contam muitas histórias, mas o fato é que no final do ano de 2006 a Cepisa não havia concluído nem 20% das obras objeto de contrato com a Eletrobrás, embora já se lhe tivessem repassado recursos de quase 119 milhões de reais.
Segundo a Procuradoria Geral da República, a Luz que deveria ser para Todos energizou as contas bancárias de pessoas que se associaram de forma estável e permanente para promover a aplicação do dinheiro do Programa em finalidades diversas das estabelecidas em lei. As pessoas que, segundo a Procuradoria Geral da República, cometeram esses crimes estão todas listadas na reportagem de ontem do Jornal Pequeno, sendo a principal delas o ministro de Sarney, Silas Rondeau.
A escuridão mental de gente tão impiedosa a ponto de evitar a iluminação do povo brasileiro, de emperrar um Programa que visa ao benefício de 1,5 milhão de brasileiros humildes, quase todos habitantes de cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano, merece um choque. E esse choque deve ser a punição por tão desatinada perversão. Punição que tarda chegar, mas parece inevitável.
Quando as luzes do progresso forem visíveis em toda a agricultura brasileira, o homem do campo terá caminhos mais seguros a seguir, sabemos disso. Será possível minorar os feitos da estiagem, será possível estimular a agricultura irrigada de territórios em que as pessoas ainda mal sabem que a energia elétrica, nos dias de hoje, é base da economia para todas as atividades humanas.
Nos campos, as escolas públicas todas estarão iluminadas, os postos de saúde, a energia movimentará mais poços artesianos, os assentamentos rurais serão beneficiados, assim como beneficiadas serão as comunidades atingidas por barragens destinadas às hidrelétricas.
Todos esses sonhos, possíveis, que contemplam imensidões de terras secas e produtivas; todas essas vontades humanas (conferidas em milhões) de crescer com a luz e contemplar o desenvolvimento em outras cores esteve ameaçada pela presença dos apadrinhados de Sarney no Ministério das Minas e Energias.
Por que será que Sarney odeia tanto os pobres?