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A sociedade assusta
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A sociedade assusta

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Data de Publicação: 27 de maio de 2008
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O crescimento econômico do Brasil e a força dos programas sociais que alcança um número cada vez maior de pessoas, sejam programas oficiais ou não, dificilmente responderão a isso. A sociedade parece dividida em duas: uma que tem medo e outra que assusta.

Não estamos nos referindo apenas ao índice de criminalidade do país, certamente um dos maiores e mais importunos do mundo, mas à sociedade brasileira como um todo, que parece fadada ao fracasso ou sente um inusitado apelo por ele nos mais diversos setores.

O nível de avaliação do ensino básico e do ensino fundamental no Brasil é uma vergonha sem precedentes. A saúde, principalmente em cidades nordestinas como São Luís, confecciona um raro retrato de calamidade pública onde se tem a impressão de que dezenas de veterinários foram contratados às expensas do Estado para cuidar de centenas de boiadas de gado vacum.

A adolescência parece ter escolhido o álcool e a droga para companheiros de luta e raras são as vezes em que os valores familiares não são abandonados em botecos fedorentos e “bocas de fumo”.

Os pais de família, aparentemente cansados, entregaram à televisão (cruz credo!) a missão de educar os filhos.

O Poder Judiciário volta e meia se vê envolvido em denúncias de desvios de função, vendas de decisões prolatadas ao gosto do freguês.

A classe política não resiste, não sobrevive, uma única semana, sem um escândalo daqueles de arrepiar os cabelos.

A medicina, montada na conveniência de Planos de Saúde bilionários, dá a impressão de reunir um imenso conclave de mercenários dispostos a arrancar a pele e os ossos da classe média.

Nas grandes metrópoles já há pessoas se organizando para comparecer ao número desembestado de velórios de jovens da classe média vitimados geralmente pelo trânsito louco, que, conforme as estatísticas, mata mais que todas as guerras em curso reunidas.

A privacidade dos cidadãos foi para as cucuias. Todo mundo tem a sensação de estar sendo vigiado 24 horas por dia e quase sempre isso é verdade.

A luta pela posse da terra ganha conotações de faroeste, com direito a índios mercenarizados e violentos e fazendeiros “inocentes” eliminando missionários.

Na polícia, representante da força coatora do Estado, há agentes bem mais aliados ao estado paralelo, onde a grana geralmente é bem mais farta e as ordens bem mais fáceis de cumprir.

As Organizações Não Governamentais comparavam-se a entidades messiânicas preocupadas com o presente e o futuro da humanidade. Mas nelas também tem muita gente enfiando com força a mão nos jarros. Jarros municipais, estaduais, federais e internacionais.

A sociedade brasileira assusta. E não assusta apenas pelo número de pessoas violentas que nela habitam. Assusta porque dentro dela está ficando cada vez mais difícil se organizar para o bem.

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