Opinião
Por Robert Lobato*
Relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) alerta que o número dos que passam fome no mundo aumenta a cada ano em quatro milhões de pessoas.
A questão da produção de alimento e do combate à fome nunca foi tão séria quanto nos tempos atuais. Pura ironia, visto que nunca na história da humanidade vimos tantos avanços científico-tecnológicos em várias áreas do conhecimento.
O site Ciência Hoje, por exemplo, revela que o físico americano Michio Kaku, professor do City College de Nova York, prevê tempos inimagináveis para o século XXI. Tais previsões estão expostas no livro Visões do futuro - como a ciência revolucionará o século 21 e se baseiam em entrevistas realizadas ao longo de dez anos com cerca de 150 cientistas das mais conceituadas instituições de pesquisa norte-americanas.
Em Visões do futuro, Kaku afirma que, no século 20, a ciência encerrou a fase mais importante de sua história, durante a qual o homem conseguiu compreender a dinâmica da natureza. Denominada Idade da Descoberta, essa fase teria começado no fim do século 17, com a mecânica newtoniana, e culminado com três revoluções decisivas: a quântica, a genética e a informática.
O cientista afirma que esses marcos certamente assinalam um rompimento significativo com o passado, mas garante que “são apenas a porta de entrada para uma era inteiramente nova”.
Segundo Kaku, os próximos 100 anos constituirão a Idade do Domínio. Marcada sobretudo pela convergência entre essas três revoluções, a nova era poderia ver o homem manipular a vida e a inteligência. “Estamos fazendo a transição de observadores para coreógrafos da natureza”, afirma.
Ao longo do livro, o autor se propõe a fazer o arriscado exercício de apontar em uma linha do tempo o momento em que determinadas áreas de pesquisa conseguirão avanços significativos. Para tanto, divide o século em períodos: até 2020, até 2050 e até 2100. Para os primeiros 20 anos, entre outras coisas, Kaku prevê que todo ser humano possa ter seu código genético armazenado em CD, o que fará com que muitas doenças possam ser eliminadas se os genes corretos forem injetados nas células das pessoas.
Para o período entre 2020 e 2050, Kaku prevê obstáculos para o avanço computacional devido aos limites físicos da tecnologia do chip de silício. No entanto, sustenta o autor, se essa dificuldade for superada, é bem possível que sejam projetados andróides dotados de discernimento, capazes de entender a linguagem humana e de aprender com os próprios erros. “Isso alterará para sempre nossa relação com as máquinas”.
Finalmente, na segunda metade do século 21, o autor prevê que a genética terá de tal forma progredido que será possível para a ciência alterar a constituição física e até mental das novas gerações. “No passado podíamos apenas nos maravilhar ante o precioso fenômeno chamado inteligência; no futuro, seremos capazes de manipulá-lo segundo nossos desejos”.
Trago essas informações do site Ciência Hoje para vermos que mesmo com todos esses avanços tecnológicos, não temos nenhuma garantia ou mesmo indicação de que conseguiremos acabar com a fome no mundo. Pelo contrário, no ritmo com que grandes multinacionais ocupam enormes extensões de terra no mundo inteiro – principalmente nos países de terceiro mundo para plantar cana-de-açúcar visando alimentar carros e outros veículos - a tendência é que a fome mate mais e mais pobres pelos quatro cantos do planeta.
Estudos do IBGE dão conta de que entre 2004 e 2006 houve um aumento de 545.562 hectares na área plantada da cana-de-açúcar e uma diminuição de 1.349.333 hectares na parcela destinada às outras culturas, só para termos uma idéia – e olhem que isso acontece no país que possui o programa Fome Zero!
*Presidente do Instituto Devir
E-mail: robert-lobato@hotmail.com