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Data de Publicação: 25 de maio de 2008
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Roberto Rocha

No decorrer desta semana, Balsas sediará a oitava edição do maior evento de agronegócios do Maranhão. Mais que uma oportunidade de negócios entre seus principais protagonistas, haverá discussões de relevantes temas para o desenvolvimento dessa mais recente fronteira agrícola em expansão no País. Será um bom momento para Balsas e para o sul do Estado.

Entre 1990 e 2004, o Corredor Logístico Centro-Norte, formado pelos Estados do Maranhão e Tocantins, bem como o centro-sul do Piauí, sudeste do Pará e nordeste do Mato Grosso, multiplicou por cerca de três vezes a produção de grãos, saltando de 2,24 milhões de toneladas para 7,20 milhões no período. E a Companhia Nacional de Abastecimento prevê a manutenção dessa curva ascendente de produção, sinalizando, assim, para 11,4 milhões de toneladas até 2010.

O problema é que o Poder Público e a cadeia logística, a despeito do dinamismo do setor produtivo, não têm demonstrado igual consistência quanto ao fortalecimento do agronegócio. A produção de soja e milho do sul maranhense é quase toda escoada por rodovias precárias, o que, associado às condições de uma frota de caminhões com elevado tempo de uso e à baixa capacidade de armazenagem próxima à área de produção, constitui a principal causa de perda de competitividade dos negócios rurais no Brasil.

Ao divulgar os Indicadores Agropecuários de 1997/2003, O IBGE apontou o prejuízo anual de cerca de 10 milhões de toneladas de grãos no país como decorrência das inadequadas condições de escoamento. A julgar pelas sucessivas pesquisas promovidas pela Confederação Nacional de Transporte, o Governo Federal pouco fez pelo Maranhão, e a nossa malha rodoviária federal foi considerada, em 2006, a segunda pior do Nordeste.

É importante registrar que tanto a estrada quanto a energia, por serem as mesmas levadas ainda pelo governador Luiz Rocha há mais de 20 anos, claro que se encontram superadas diante do expressivo progresso lá ocorrido. A Bancada Federal do Estado tem procurado apoiar essa região produtora. No Orçamento da União para 2008, destinou recursos para reconstrução da BR-230, um dos mais importantes meios de acesso e escoamento da produção regional. Também estivemos no Ministério das Minas e Energia, no ano passado, cobrando um novo Ponto de Suprimento de Energia, a fim de permitir que a região alcance afinal a sua grande vocação: a agroindústria.

Outra conquista importante veio da direção do Porto de Itaqui: a construção o II Terminal de Grãos. Com condições de movimentar 12 milhões de toneladas de grãos por ano, o novo terminal dobrará a capacidade produtiva dessa que já é a estrutura portuária mais consolidada para receber a produção graneleira em expansão no Corredor Centro-Norte. A mesorregião Sul Maranhense posiciona-se na porção geograficamente central do Corredor e pode transformar-se no maior pólo de desenvolvimento da área de influência de importantes projetos públicos.

Os bons preços das commodities têm propiciado novos investimentos na região. As excelentes condições de solo e clima, bem como a estabilidade do mercado, estimulam os produtores a reverterem áreas de pastagem natural degradadas para a produção de grãos. Ainda assim, apenas cerca de 460 mil ha. estão cultivados. O potencial de expansão é de cerca de mais duas vezes a área atualmente explorada, sem nenhum conflito determinante com biomas sensíveis. Tudo em harmonia com o homem e o meio-ambiente.

O bom é que a demanda crescente por alimentos e as oportunidades de produção de energia limpa a partir de biomassa dão a Balsas excelentes condições de desenvolvimento. Por isso, a cidade estará em festa para celebrar o sucesso de sua consistente trajetória. Mas, para seguir desenvolvendo suas vocações naturais, os produtores esperam discutir e pactuar agendas positivas com o Poder Público e com os demais elos da cadeia para induzir o robustecimento dos negócios e não apenas reagir a fatores externos.

Lá estaremos participando dessa importante discussão.

O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos. contato@robertorocha.com.br

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