O Corredor Centro-Norte está bem próximo de se tornar uma realidade. Governadores do Maranhão, Jackson Lago, Piauí, Wellington Dias e representantes dos estados do Pará, Mato grosso, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Goiás assinaram ontem os atos de criação e instalação do Fórum Permanente do Corredor Centro-Norte. Os governadores vão propor em bloco ao Governo Federal a construção de ramais ferroviários que permitam a atração de políticas públicas para esses estados.
Construído o colegiado, a luta é pela conclusão definitiva da Ferrovia Norte-Sul, que vai representar a superação do isolamento do centro e viabilizar políticas públicas centradas na produção de alimentos, bioenergia, minérios e logística para escoamento de todas essas riquezas.
Já não é de hoje que governantes apontam a Ferrovia Norte-Sul como principal meio de escoamento da produção na região. Ferrovia que, aliás, foi barrada pela xenonofobia dos políticos do Sul/Sudeste com relação aos estados do Centro-Norte.
Mas é preciso entender melhor o que aconteceu na reunião dos governadores ontem em São Luís. O Fórum Centro-Norte significa a formalização de um colegiado político na busca de um corredor de comércio exterior que atenda aos diversos estados, com entrada e saída pelo Porto do Itaqui. Esse colegiado tem a força política necessária para conseguir a complementação da Ferrovia Norte-Sul através do Plano de Aceleração do Crescimento. Logicamente, que os técnicos envolvidos no assunto pensam em uma nova forma de concessão de exploração dos diversos ramais ferroviários e rodoferroviários, com participação da iniciativa privada.
Quando levou ao Governo Federal o documento concernente às potencialidades do Maranhão, o governador Jackson Lago anteviu a participação do estado na produção de biocombustíveis e carregava consigo os sonhos da construção do gasoduto Teresina-São Luís e de uma refinaria de petróleo, mostrando as insuperáveis vantagens físicas, geofísicas e logísticas do Porto do Itaqui. O Fórum Permanente do Corredor Centro-Norte aumenta o peso do Maranhão na balança política que ainda influi na construção de grandes obras como estas no país.
Por outro lado, conforme frisou o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, há uma consciência hoje no Governo Federal de que o problema número um da agricultura brasileira é o escoamento dos grãos do Centro Oeste para o Norte. “A superação do isolamento da Amazônia e do Centro-Norte do país permitirá a construção de um novo modelo de desenvolvimento nacional”, diz o ministro. Um modelo de desenvolvimento que, pelo menos desta vez, terá que incluir os estados historicamente isolados da economia do país, Maranhão, Piauí, Para, Mato grosso, mato Grosso do Sul Tocantins e Goiás.