O ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger, coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS), disse sexta-feira, em São Luís, que o Maranhão, comparado com outros Estados da região, tem uma grande vantagem a seu favor: o fato de estar inserido em dois tipos de Amazônia.
Na avaliação de Mangabeira, para resolver os problemas da Amazônia é indispensável a imediata regularização fundiária da região, o zoneamento econômico-ecológico e a aplicação do desmatamento zero. Ele disse que a Amazônia só pode ser desenvolvida se for pensada em duas: a Amazônia com floresta e a sem floresta. “Ela precisa ser entregue não às formas predatórias, mas à forma de desenvolvimento sustentável.”
Para a Amazônia com floresta, Mangabeira defendeu a necessidade de se providenciar tecnologia, permitindo-se o manejo sustentável com equipamentos específicos para uma floresta tropical, a implantação de serviços ambientais avançados e a manutenção, na região, de pessoal qualificado, a realização de um reordenamento jurídico. O ministro elogiou a licitação para exploração de Florestas Nacionais (Flonas), mas fez a ressalva de que a legislação a respeito tem que ser mais específica. Flona é uma área de espécies nativas para uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e para pesquisa científica.
Ao fazer uma explanação sobre o Plano Amazônia Sustentável (PAS), Mangabeira Unger reiterou que o Maranhão será um dos Estados beneficiados, porque está dentro da abrangência da Amazônia e tem potencialidades para gerar desenvolvimento. Ele disse que o Maranhão é um dos Estados que merece atenção especial porque faz parte dos dois lados da região: Amazônia com floresta e Amazônia sem floresta.
“Além disso, nós temos preocupação com uma política agrícola - que reorganize o desenho institucional de uma agricultura moderna e democratizada. É preciso estruturar a produção para fortalecer os produtores fragilizados. Esses são alguns dos compromissos do governo Lula e já começamos a discutir tudo isso com o Governo do Maranhão”, frisou o ministro.
Segundo Mangabeira, a Amazônia hoje é a grande vanguarda brasileira e não é apenas uma coleção de árvores. Ele lamentou que a atividade econômica desordenada tenha impulsionado o desmatamento, enfatizou que essa realidade hoje precisa ser mudada e defendeu a necessidade de uma rede de indústrias em toda a Amazônia, ao lado de grandes cidades, que transforme produtos florestais madeireiros e não madeireiros; que fabrique tecnologia apropriada ao manejo sustentável e também transforme artigos minerais e agropecuários.