POR OSWALDO VIVIANI
Senador tido como uma espécie de “reserva moral” no Senado da República, Jefferson Péres não raro entrava em rota de colisão com as “velhas raposas” da Casa, que naturalmente não comungavam com seu jeito radicalmente ético de exercer a atividade política. O senador José Sarney, por exemplo, era desprezado por Péres, que nunca titubeou em manifestar essa ojeriza publicamente.

de Brasília sempre no lado oposto a Jefferson Péres
Em junho de 2004, por exemplo, depois de uma manobra malandra de José Sarney – então presidente do Senado – para garantir 3.500 vagas de vereadores cortados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Jefferson Péres acusou Sarney de “prevaricação” (crime cometido por funcionário público ao atuar contra disposição legal por interesse pessoal) e de “estuprar o regimento”.
Meses antes, o parlamentar pedetista havia entrado com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão de José Sarney de não indicar os integrantes da CPI dos Bingos – um fato jamais visto na história das CPIs, que afrontava claramente a Constituição do país.
Em fevereiro de 2001, depois de ver Jader Barbalho – corrupto contumaz –, virar presidente do Senado graças à ajuda de manobras dispersivas de Sarney, Péres afirmou que o comportamento do ex-oligarca maranhense não havia sido correto: “Sarney deveria ser afirmativo, dizendo se era candidato ou não [à Presidência do Senado]. Não creio que ele tenha se comportado muito bem”.
A diferença entre Jefferson Péres e políticos do naipe de José Sarney ficou particularmente nítida durante os vários processos que pediam a cassação do senador alagoano Renan Calheiros (PMDB), acusado, entre outras coisas, de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior Renan, e de usar “laranjas” para comprar veículos de comunicação em Alagoas.
Péres atuou como relator do último caso e pediu a cassação de Renan. Já José Sarney e sua filha Roseana articularam o tempo todo para salvar o mandato do amigo. Conseguiram. E a comemoração do “grande feito” teve lugar na casa de José Sarney, em Brasília, onde todos comeram, beberam e riram do “pobre relator”, expressão usada diversas vezes no “banquete dos coronéis” por Renan Calheiros para se referir a Jefferson Péres.
Frases do parlamentar
“José Sarney estuprou o regimento do Senado”
“Canalhas de todos os matizes: eu não sou como vocês. Ética para mim não é pose, não é bandeira eleitoral, não é construção artificial de imagem para uso externo.”
“Ética para mim é compromisso de vida. Agir eticamente para mim é tão natural quanto o ato de respirar.”
“Se alguém mandou me seguir, me fotografou em companhia de amantes, mande as fotografias, estou pedindo. Quem é que pode me chantagear? Eu não sou chantageável. Minha mulher nunca foi funcionária do Senado Federal, nem do meu nem de qualquer gabinete.”
“Nada incomoda mais um canalha que uma pessoa de bem. Fere a auto-estima do canalha saber que há pessoas honestas.”
“Eu já sentia que ela [Marina Silva] vinha descontente com algumas ações do governo. Para mim, não foi surpresa. Seria deselegante antecipar suas razões, mas é uma possibilidade essa questão dos conflitos com a ala desenvolvimentista do governo que quer crescimento a qualquer custo.”
“Renan Calheiros salvou o mandato, mas não a honra”