Em entrevista coletiva, no Palácio dos Leões, o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que irá coordenar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), disse que os maiores parceiros do projeto são os governadores da região e os contatos já estão sendo feitos nesse sentido. Ele reiterou que o Maranhão será um dos Estados beneficiados, porque está dentro da abrangência da Amazônia e tem potencialidades para gerar desenvolvimento.

Mangabeira Unger disse que o Maranhão é um dos estados que merecem atenção especial porque faz parte dos dois lados da região: Amazônia com floresta e Amazônia sem floresta. “Além disso, nós temos preocupação com uma política agrícola - que reorganize o desenho institucional de uma agricultura moderna e democratizada. É preciso estruturar a produção para fortalecer os produtores fragilizados. Esses são alguns dos compromissos do governo Lula e já começamos a discutir tudo isso com o Governo do Maranhão”, frisou o ministro.
Segundo Mangabeira, a Amazônia hoje é a grande vanguarda brasileira e não é apenas “uma coleção de árvores”. Ele lamentou que a atividade econômica desordenada tenha impulsionado o desmatamento, enfatizou que essa realidade hoje precisa ser mudada e defendeu a necessidade de uma rede de indústrias em toda a Amazônia, ao lado de grandes cidades, que transforme produtos florestais madeireiros e não madeireiros; que fabrique tecnologia apropriada ao manejo sustentável e também transforme artigos minerais e agropecuários.
Mangabeira defende que a região amazônica seja ocupada com atividades sustentáveis. Ele entende que se a população não tiver oportunidades econômicas será impelida para ações desordenadas, que levarão ao maior desmatamento da floresta e à destruição do bioma. O ministro também observa que o atual modelo de povoamento, com grandes espaços desocupados, representa um risco à proteção da região.
“Sem projetos econômicos não haverá estruturas produtivas e sociais organizadas. Além disso, uma vasta região sem essas estruturas é difícil de se defender”, ressaltou o ministro. Segundo ele, o país deve também possibilitar a criação de incentivos fiscais para a instalação de “indústrias da floresta”.