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Governo e oposição fecham acordo para encerrar CPI sem acareação

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Data de Publicação: 22 de maio de 2008
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DOSSIÊ VAZADO

Em um acordo costurado entre a base aliada do governo e a oposição, a CPI dos Cartões Corporativos encerrou extra-oficialmente suas atividades ontem sem conseguir esclarecer detalhes sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O governo esvaziou a sessão para evitar a votação do requerimento de acareação de José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, com André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

A oposição, por outro lado, também não compareceu à CPI para forçar a votação do requerimento. A sessão acabou encerrada por falta de quórum. Como os governistas têm ampla maioria na comissão, já se mobilizaram para impedir a aprovação da acareação na próxima terça-feira ou de qualquer outro pedido para a convocação de suspeitos de envolvimento no dossiê - o que abre caminho para a apresentação do relatório final do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Senadora Marisa Serrano, presidente

da CPI dos Cartões

A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), disse que só poderá dar continuidade aos trabalhos da comissão se os requerimentos forem aprovados. Do contrário, vai permitir a leitura do relatório final de Sérgio na semana que vem.

"Na terça-feira, se não votarem favoravelmente o que vou colocar em votação, parto para a leitura dos relatórios. Temos dois sub-relatórios e o relatório final e podemos ter um relatório paralelo", afirmou a senadora.

Sérgio, por sua vez, manteve a previsão da leitura do seu relatório no dia 29. O deputado disse que não pretende incluir as investigações sobre o dossiê no texto final da comissão. Entre os integrantes da CPI, a maioria defende que a Polícia Federal fique com a responsabilidade de investigar o vazamento da Casa Civil que deu origem ao dossiê anti-FHC.

"Caberá ao inquérito da PF esclarecer este tema do vazamento. Não acredito que a CPI, por mais que busque, seja mais eficaz que a Polícia Federal", disse.

'Acordão' - Os integrantes da CPI negam que tenham fechado qualquer acordo para não finalizar o depoimento de Aparecido e dar continuidade nas investigações sobre o dossiê. Diante da maioria governista na CPI, a oposição aceitou desistir da acareação para concentrar esforços no relatório paralelo que pretende apresentar na semana que vem como contraponto ao texto de Sérgio.

"O que aconteceu foi uma manobra do governo para impedir a acareação. O DEM continua na oposição ferrenha, e o PSDB acredito que também. Mas não posso garantir pelos outros partidos", disse o deputado Índio da Costa (DEM-RJ).

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) denunciou o suposto "acordão" ao afirmar que considerou "estranho" Serrano ter encerrado tão rapidamente a sessão em que Aparecido continuaria a ser ouvido.

(Folha Online)

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