EdsonVidigal
Todo querer é forte se, aliado da necessidade, refletir uma vontade coletiva. A maior parte das nossas necessidades individuais se confundem com as necessidades coletivas.
Dependemos hoje, e muito, da autoridade do Estado já não mais apenas para realizar, nos espaços que lhe cabe, o bem comum.
Também para impedir os abusos do setor privado, especialmente o que recebe a concessão ou a permissão para empreender, em nome do Estado, tarefas do interesse público.
O tempo provou que o Estado, sempre que se fragiliza por influências políticas nefastas, não consegue bons resultados ao se propor a fazer, ele próprio, algumas coisas em favor dos interesses coletivos.
O Estado é quase sempre mau gestor e raramente consegue abater pragas como o clientelismo político, gerador de despesas desnecessárias, e de resultados pífios quando se busca aferir algum bom resultado na administração.
Não é preciso ir longe para se constatar que funções básicas do Estado brasileiro não chegam em resultados positivos à grande maioria das pessoas.
Vê lá o orçamento da União, depois o do Estado, e os Orçamentos dos Municípios, e compara, e me diz porque essas distâncias tão desproporcionais entre o que se propõe e o que, em termos de resultados, pífios resultados, se consegue.
Não há liderança política dirigindo um Estado quando alguém, em ano de eleições, especialmente, aparece com uma pesquisa indicando, por exemplo, que a prioridade dos moradores de um lugar é ter ruas asfaltadas e mais que depressa atender a isso, sem a concomitância do saneamento básico.
Afora a redução da poeira, isso melhora em que a vida das pessoas? E por quanto em verba do orçamento isso acaba saindo? E por que não optar por soluções impostas por medidas consistentes?
No verão, o asfalto atrai mais calor. No inverno, vem os buracos, mais água parada nas laterais por onde nada escorre, o que se traduz em mosquitos, muriçocas, dengue e outros grandes desassossegos.
Aquele que não lidera, pois não tendo coragem moral só pensa em não desagradar, o finório, o que não ousa avançar, pois está sempre à espera da onda que vem para então se definir, esse tipo de político faz muito mal à maioria das pessoas, ao desenvolvimento de uma sociedade, ao bem-estar geral.
Termina o seu tempo e nada com algum conteúdo a ficar. Gastou dinheiro público só com picolé de morango. Conheci um professor no Liceu, Rubem Almeida, que chamava de picolé de morango as coisas sem consistência. Assim também são muitas das obras públicas que vemos por aí. Que nem picolé de morango. Saltam aos olhos, mas sem consistência alguma. E logo se derretem.
O problema mesmo é que a política não tem sido levada a sério por quem mais tem a obrigação de levá-la. Quem? Os cidadãos mais esclarecidos, os que formam opinião.
Devemos formar uma corrente que ajude a maioria a compreender e, compreendendo, rejeitar os profissionais da politica, aqueles que, sem profissão definida, e os que já a tiveram mas que nem sabem mais exercê-la, isto porque desaprenderam tanto o que sabiam e na politica aprenderam tanto o que nem deviam, e estando há tanto tempo na frente se julgam vitalícios e já nem querem deixar a fila andar.
Política não é profissão, gente. Não pode ser meio de vida, de fonte de renda para sustento de ninguém. Política é prestação de serviço voluntário, e sacerdócio para os que podem ficar mais tempo.
(Acesse o meu blog – www.EdsonVidigal.com)
Edson Vidigal, ex-presidente do STJ, professor de Direito na Ufma, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.