É possível crer que uma pessoa cujo nome jamais foi citado durante uma investigação tenha sido denunciada ao Superior Tribunal de Justiça pelo Ministério Público Federal e pela Procuradoria Geral da Justiça?
É possível crer que uma pessoa cuja voz não conste de nenhuma das gravações feitas pela Polícia durante uma investigação, nem seu nome esteja escrito em qualquer documento de uma inquisição ou apuração policial esteja sendo acusada de peculato, formação de quadrilha e corrupção passiva?
Dá para acreditar que expressões como “Chefe Maior”, que possam ser imputadas a quaisquer pessoas que estejam acima de nós em uma escala funcional, sirvam de base para uma denúncia formal do Ministério Público? Ou que alguém que nunca sequer foi visto dando um aperto de mão em sócios-proprietários, funcionários, peões e agregados de uma empresa acusada de corrupção possa estar propenso a ser indiciado?
Pois tudo isso está acontecendo com o governador do Estado do Maranhão, Jackson Lago, na mais impressionante ‘cagada’ jurídica deste país. E na companhia de um processo de linchamento moral dificilmente registrado na história da mídia maranhense.
Um pronunciamento do deputado Marcelo Tavares (muito mais do advogado que do deputado), que teve acesso aos autos do processo, revela que o nome do governador só pode ter sido ‘empurrado’ para dentro de uma acusação que não descreve se, quando, em que lugar, a que horas e muito menos das mãos de quem o governador teria recebido a propina de que o acusam. A denúncia que chega ao STJ fala de terceiros, fala de “chefe maior”, fala de intermediário, só não consegue colocar o governador nem seu nome em lugar nenhum, em telefonema nenhum, em documento nenhum dessa investigação. Aliás, o tal intermediador de propinas a que se referem, Geraldo Magela, diz com todas as letras que não conhece o governador Jackson Lago e com todas as letras deixa claro que “está forte é com o senador José Sarney”. E aí? Com tal testemunho probatório, (pois falou em conversa gravada) por que o Ministério Público e a Procuradoria denunciam Jackson e não Sarney?
Como toda e qualquer pessoa, órgão ou entidade de bom senso, não queremos briga com Procuradorias, Ministérios Públicos ou Justiça, mas essa coisa toda está fedendo, não temos como deixar de dizer isso.
Humilha-se o processo penal com ilações tão toscas, intempestivas e incompletas. Catando-se página a página do inquérito, sílaba a sílaba da denúncia, pelo menos com base no que até aqui foi publicado na imprensa, não se encontra razão plausível que indique como ou por que o nome do governador Jackson Lago foi parar nesse processo.
Ainda falta o STJ dizer se acata ou não a denúncia, ainda falta a Assembléia decidir se permite ou não que o governador seja processado, ainda falta o julgamento popular de tão ineptas acusações. Mas os urubus e aves de mau agouro estão possessos, voando alto em seus delírios, sem perceber que pelo que se desenha nos autos trocaram os réus pelas vítimas e a vítima principal de toda essa azáfama midiático-jurídica é o governador do Maranhão.