O rebanho de caprinos no Maranhão chegou a quase 406 mil cabeças em 2006, segundo o IBGE. Somente em Chapadinha, município com melhor adaptabilidade para a criação de bodes, são cerca de 16 mil animais. Essa produtividade, entretanto, é ameaçada por uma doença que atinge 30% do rebanho, a verminose. A solução para o problema chegou com a Unidade Móvel de Apoio técnico à Ovinocaprinocultura ou simplesmente Bode Móvel.


A bordo de um veículo equipado com microscópios, balanças de precisão, centrífugas, material de laboratório e refrigeradores para conservação de amostras, médicos veterinários e engenheiros agrícolas vão até as comunidades produtoras de caprinos. A Bode Móvel tem um gerador que lhe dá autonomia de até 4 horas, garantindo atendimento as comunidade sem energia elétrica. Durante uma semana, são realizados exames que geram informações sobre a saúde dos animais.
A Bode Móvel pretende encontrar formas de controle das doenças que mais acometem os caprinos. Para isso, o projeto aposta em pesquisas. “Queremos fazer um controle da verminose por meio de dados concretos. Vamos identificar, por exemplo, quais alimentos eles se adaptam melhor e quais são tóxicas. Quem buscar informações vai poder encontrar na Bode Móvel”, avisa o analista do Sebrae, José Noleto Oliveira.
Na última quinta-feira, 15, o projeto ganhou mais um reforço. A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) consolidou convênio com o Sebrae, que gerencia a Bode Móvel. “Por meio deste projeto, serão produzidas pesquisas de impacto regional, ajudando na melhoria da qualidade de vida da população maranhense”, destacou o diretor-presidente da Fapema, Prof. Dr. Sofiane Labidi.
Este é o primeiro resultado da implantação do escritório da Fapema em Chapadinha, que busca estar cada vez mais próxima da comunidade científica e produtiva. Para Labidi, “a presença da Fundação no município é de grande relevância, porque vai permitir a identificação das necessidades da região e a prospecção de suas potencialidades”.
Pela parceria com a Fapema, serão disponibilizados 2 técnicos de laboratório, ainda acadêmicos, e 2 técnicos de nível superior, médicos veterinários. A intenção dos gestores do projeto é não restringir os serviços da Bode Móvel ao atendimento aos animais. Os produtores terão prioridade, recebendo treinamentos e ações de fortalecimento da cidadania.
Na avaliação de Noleto, a ovinocaprinocultura representa uma saída para a população dessa região, com melhor possibilidade de retorno financeiro. “Poderemos tirar esses produtores da roça tradicional, do sistema de roça do toco. Eles vão passar a trabalhar com um produto valorizado”, explica o analista do Sebrae. O quilo do carneiro em Chapadinha custa R$ 7,00.
A Unidade Móvel de Apoio à Ovinocaprinocultura foi doada pela Fundação Banco do Brasil. A Universidade Federal do Maranhão também é parceira do projeto. A Unidade conta também com instrumentos como data-show e computadores que servem para a disseminação de informações aos produtores.
Participaram da assinatura do convênio os consultores do Sebrae, Antônio José Vieira, Sérgio Medeiros, José Noleto Oliveira e Maria das Graças Viégas, o representante da Fapema em Chapadinha, Lívio Martins e o diretor-presidente da Fapema, Prof. Dr. Sofiane Labidi.