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Onde se encontram os turistas?

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Data de Publicação: 18 de maio de 2008
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“É fácil falar em nome do povo, o povo não tem voz”.

Carlos Drummond de Andrade

Esta pergunta nos persegue há vários anos e tem nos obrigado a nos dedicar a analisar fluxos turísticos, seus movimentos, tendências de onde se originam e para onde se destinam. Os estudos estratégicos da Organização Mundial de Turismo para 2020 apontam para um total estimado de 1.561.000.000 (Um Bilhão, Quinhentos e Sessenta e Um Milhões) de viagens internacionais acontecendo por ano em todo o mundo. E ensinam muito.

O último barômetro da OMT configurou que tivemos menos viagens em 2003 que em 2002 e é fácil compreender o impacto do 11 de setembro de 2001, a tragédia ocorrida na Espanha, o efeito Tsunami e outros mais que provocaram um decréssimo de turistas viajando pelo mundo. Hoje – em 2008/2007 já estamos em pleno crescimento. Necessário de faz nos indagarmos qual o tipo de viagens este movimento determina. Mais uma vez nos apoiamos na OMT ao informar que 80% das atuais viagens são de curta distância e apenas 20% de longa distância e esses percentuais perduram na projeção para 2020. Algo em torno de sete horas de vôo máximo.

Quem deseja trabalhar com e para o Turismo deve refletir com essas constatações. Remetemo-nos a necessidade de pensarmos em estratégias para o Brasil – país continente – distante dos principais pólos emissores. E agora situe o Maranhão dentro deste contexto, nossas distâncias aos principais emissores do país, número de vôos, a disputa com outras cidades, belezas naturais etc.

É tempo de quem trabalha com Turismo repensar estratégias e cenarizar tendências, estruturando e inovando com programas de Turismo de curta distância e voltando os olhos para a aviação regional e sub-regional e as empresas aéreas não regulares. E cuidar mais de formatação de produtos que atendam nichos e segmentos de mercado. Nesta diapasão encaixa-se o Roteiro Integrado MA-PI-CE – a Rota das Emoções – e que algumas pessoas providas de vaidades criam inúmeras dificuldades para a construção dos 129Km que ligam Barreirinhas a Parnaíba, e com isso, impedem um roteiro de grande potencial e dentro de um Turismo Sustentável.

É também hora de encontrar meios de formatar o negócio de turismo na América do Sul.

Temos hoje, além do mercado sul-americano, o mercado europeu e norte-americano a serem cada vez mais prospectados e trabalhados.

Mas não se iludam aqueles que falam bobagens e questionam inconformados os porquês do Brasil e o Maranhão não receber 77 milhões de turistas estrangeiros como a França, 12 milhões como Portugal ou 20 milhões como o México.

Na França, 90% das entradas de turistas são provenientes dos seguintes destinos: Alemanha, Reino Unido, Itália, Suíça e Espanha. Já Portugal tem como principais países emissores a Espanha, Reino Unido, França, Alemanha, Holanda e Itália. Somente esses países são responsáveis por 88,5% dos turistas estrangeiros que chegam a Portugal anualmente. Mas e os 20 milhões de turistas que foram ao México? Desses, metade são turistas internacionais e outra metade os mexicanos chamam de turistas fronteiriços. Isto é, dos EUA e Canadá. Fica claro que o turismo acontece intra regionalmente no mundo e beneficia aqueles destinos que estão próximos dos grandes pólos emissores mundiais.

Mas existem aquelas pessoas que sem se debruçarem sobre o Estudo de Fluxos da OMT e analisá-los citam exemplos da África do Sul e da Austrália e até mesmo da China, para tentar derrubar essas realidades já apontadas. E aí, mais uma vez vamos ver que a história e as tendências se repetem. Mais de 80% de turistas recebidos pela África do Sul são do próprio continente africano. E a Austrália que hoje é destino muito badalado entre os brasileiros mesmo tendo sediado uma grande Olimpíada em 2000 e tendo uma super exposição de mídia, recebe hoje pouco mais do que o Brasil, sendo 50% do leste da Ásia e do Pacífico.

Não pretendo aqui afirmar que não devemos competir e trabalhar muito na captação de fluxos europeus ou norte-americanos, pois ano próximo passado o Brasil recebeu aproximadamente 5.000.000 (cinco milhões) de turistas estrangeiros. E que não devemos prospectar mercados potenciais ainda que distantes como a China que se prepara para exportar 100 milhões de turistas nos próximos anos. Apenas que devemos atentar para essas realidades e delas tirar lições desenvolvendo modelos mentais criativos. Mas trabalhando sempre com realismo priorizando os mercados próximos e seguros.

Os nossos números e indicadores brasileiros, hoje muito bem disponibilizados no site da Embratur, constatamos que nosso ápice de chegadas de estrangeiros ocorreu em 2005 – 5.358.170 turistas. E note-se mais de 63% eram sul-americanos.

É, neste momento, que temos de ser compensados por um Turismo interno em processo de fortalecimento onde se destaca a necessidade de oferta de equipamentos e infra-estrutura em nosso país. Constata-se claramente a importância das obras do PAC e as condições estruturantes e a opção pelo Turismo Sustentável que ora está sendo implantado no Maranhão. Além disso, estimular um aumento de fluxos provenientes da Europa que sem dúvida, além da América do Sul é o nosso grande mercado potencial a desenvolver, visto que o Nordeste está distante pouco mais de 6 horas de vôo daquele continente. No caso do Maranhão, se não temos a demanda necessária para trazer e levar turistas é necessário irmos fomentando pontos/conexões com os outros Estados do Nordeste que já possuem vôos regulares neste peculiar. Recentemente a Cia. Aérea TAF iniciou vôos de São Luís para Caiena (Guiana) e desta pela Air France para Paris, o que prova que para quem busca novos caminhos, os resultados surgem.

Só não dá no Turismo para ficar esperando Godot ou repetindo em artigos, páginas de livros didáticos de curso de turismo, válidos, mas inadequados e sem experiência na prática, pois é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse.

O compromisso com a verdade e com a nossa comunidade é mais forte que a espera do Godot. E afinal o poeta tem razão, “É fácil falar em nome do povo, o povo não tem voz”.

João Pereira Martins Neto

Secretário de Turismo do Maranhão

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