LEI DO GATILHO
Para qualquer lugar que Maria Ivete Bastos vá ela é sempre acompanhada por um policial armado à paisana. Ivete é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, no Pará, e foi ameaçada de morte várias vezes.
"As ameaças vêm por meio de recados, de gente falando, telefonemas", conta ela, na sede do sindicato, sempre sob a supervisão de seu protetor. "Mas a gente não sabe bem que é."
Ela é apenas um exemplo de como é violenta a disputa por terras e os recursos naturais no Estado, que voltou ao noticiário recentemente por causa do caso da missionária Dorothy Stang, morta por um pistoleiro em 2005. Em um novo julgamento, no dia 6 de maio, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Souza, acusado de ser o mandante do assassinato da americana naturalizada brasileira, foi absolvido. A absolvição gerou manchetes no país todo e deixou pessoas como Maria Ivete em uma posição ainda mais delicada. "A impunidade alimenta a violência", diz ela. "Para a gente, o resultado do novo julgamento é um grande perigo." Dorothy foi morta, segundo investigação da polícia do Estado, porque defendia e ajudou a criar assentamentos de terra no município de Anapu, onde foi morta.