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Ministro Gilberto Gil diz que a Bahia não está no Nordeste

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Data de Publicação: 16 de maio de 2008
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Teresina – O ministro da Cultura, Gilberto Gil, criou mal estar na noite de ontem ao afirmar que a "Bahia não está no Nordeste" durante o seminário O Novo Nordeste e o Brasil, realizado em Teresina (PI). O evento foi organizado pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores e contou com a presença do secretário da Presidência Luis Dulci e do governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

Durante sua explanação, o cantor e compositor declarou que "a Bahia não está no Nordeste", argumentando que o Estado é "intermediário geograficamente com o centro Oeste e o Sudeste" e afirmou: "a Bahia é a Bahia", justificou o ministro ao ouvir reações da platéia.

A petista Luzanira de Sousa, presidente da Secretária de Assistência Social no município de Picos, sul do Piauí, contestou o ministro e gritou: "O Piauí é o Piauí".

O ministro tentou esclarecer seu comentário. "Não adianta fazer cara feia gritando que o Piauí é o Piauí. Não vou colocar a disputa entre o Piauí e a Bahia. Pelo amor de Deus, não façam isso", pediu.

Gilberto Gil explicou que tanto o território, como a genética e a vida cultural da Bahia são importantes para o Nordeste, e que seu Estado faz parte do Brasil como um todo. "É uma terra iniciada geograficamente e está no meio da costa atlântica brasileira, e politicamente tem sido intérprete do anseio brasileiro", declarou Gil, sem entender o motivo do mal entendido.

"Todas as escolas de samba do Rio (de Janeiro) e de outros Estados são obrigadas a ter ala de baianas. A Bahia é uma terra de todos e era isso que eu queria aproveitar para falar. A Bahia é de todos", acrescentou Gilberto Gil, sob olhares do governador Wellington Dias e do ministro-chefe da Secretária-Geral da presidência da República, Luiz Dulci.

Na tentativa de se explicar, o ministro frisou que, ao retornar do exílio no período da ditadura militar, fez questão que seu primeiro show fosse em Pernambuco, e não na Bahia, e citou a riqueza do povo nordestino pelo Brasil, como os Estados da Amazônia, todos colonizados pela cultura nordestina, e a força motora usada nas construções em São Paulo. "Nas favelas da Maré e Rocinha, no Rio de Janeiro, os avós e mães são todos nordestinos. Brasília é feita por nordestinos", completou.

Exaltando a característica pluricultural do Nordeste, Gilberto Gil finalizou dizendo que a cultura é mais importante que qualquer outra área. "A vida é movida pela capacidade das pessoas dizerem eu te amo. Isso é cultural", concluiu.

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