INVASÃO EM PARAUAPEBAS
Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e um grupo de garimpeiros liberaram ontem a Estrada de Ferro Carajás (EFC), da Vale, que ocupavam desde terça-feira, 13, mas, segundo a empresa, a via férrea permanece interditada em razão da falta de condições operacionais por causa de “atos de vandalismo” praticados pelos invasores. A EFC foi ocupada no mesmo local da invasão ocorrida durante o chamado “Abril Vermelho”, em Parauapebas (Pará).

Os invasores retiraram 1.200 grampos que fixam os trilhos ao solo, num trecho de mais de 200 metros de extensão; cortaram os cabos de fibra ótica que passam pelos trilhos, interrompendo a comunicação via celular de Carajás; atearam fogo em pneus sobre os trilhos, danificando mais de 300 dormentes; e usaram macaco hidráulico para levantar os trilhos, comprometendo a sustentação da linha.
Segundo a Vale, esses atos representam um grave risco à operação do trem, principalmente em relação à segurança dos passageiros. Com a paralisação da EFC, deixam de ser transportadas por dia 1.300 pessoas, que têm no trem de passageiros seu principal meio de transporte entre 23 municípios do Maranhão e do Pará.
Por essas razões, a simples liberação da via pelos invasores não significa que os trens possam voltar a circular de imediato. Além disso, deixaram de ser transportadas 285 mil toneladas de minério de ferro, fora os danos à sinalização e aos equipamentos da ferrovia. Estimativas preliminares dão conta de que serão necessárias mais de 100 horas-homem de trabalho para reparar os danos provocados pelos invasores. A Vale obteve, na noite de terça-feira, mandado de reintegração de posse da EFC.
Essa foi a 11ª invasão a uma unidade da Vale desde março do ano passado. Maior exportadora líquida do país, a Vale foi responsável por 96,5% do superávit comercial brasileiro no primeiro trimestre de 2008. A paralisação da EFC representa uma perda aproximada de US$ 22 milhões por dia para a balança comercial brasileira.