POR OSWALDO VIVIANI
Desde o início desta década o Ministério Público Federal investiga irregularidades em projetos da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) nos estados de Tocantins, Mato Grosso, Pará, Amazonas, Maranhão e Amapá. Parte dessa investigação se dedicou ao projeto Usimar, no Maranhão, idealizado no governo Roseana Sarney.
Em 1999, a Usimar Componentes Automotivos Ltda. aprovou um projeto de R$ 1,3 bilhão junto à Sudam, destinado à construção de uma fábrica de autopeças no Maranhão. A Sudam entraria com R$ 690 milhões e a empresa, com o restante.

O projeto foi aprovado em uma reunião do Conselho Deliberativo da Sudam, presidido por Roseana Sarney. Ela havia pedido ao então ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra, que incluísse o projeto na pauta da reunião do conselho
Em janeiro de 2000, a Sudam liberou R$ 22 milhões para o projeto. Outra parcela, no mesmo valor, foi liberada em abril. Mas técnicos da Sudam não conseguiram comprovar a contrapartida da Usimar.
O Ministério Público descobriu que o projeto Usimar foi montado exclusivamente para fraudar a Sudam. Por trás do esquema, segundo os procuradores, estava o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que dominava politicamente a entidade e receberia 20% dos valores liberados.
Para os procuradores, o projeto Usimar contou com o apoio da ex-governadora Roseana Sarney e de seu marido, Jorge Murad, que era gerente de Planejamento do estado. Eles alegaram que o casal trabalhou pelo projeto ao facilitar sua instalação no estado. Roseana e Jorge Murad - assim como Jader Barbalho, considerado o "chefe da quadrilha" pelo MP - foram acusados de formação de quadrilha, peculato (apropriação ou desvio de dinheiro público por servidor) e estelionato (obter vantagens ilícitas para si ou terceiros).