O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que quer retomar o pagamento de diárias no governo federal como já fez em sua gestão como presidente do Sindicado dos Metalúrgicos do ABC. Em evento que comemora 30 anos da greve na Scania, em São Bernardo (Grande São Paulo), Lula citou um ex-diretor do sindicato – Mariano Palma Vilalta – que na época cuidava da área fiscal.
“Ele [Vilalta] brigou tanto para que as notas do sindicato estivessem em dia que me obrigou a instituir as diárias no sindicato, coisa que eu quero fazer no governo federal para acabar com as sacanagens”, afirmou.
Em março, durante depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, o ministro Jorge Hage (Controladoria Geral da União) disse que o presidente Lula deve editar decreto para restabelecer as diárias.
Na opinião de Hage, as diárias pagas diretamente aos ministros são a melhor alternativa para garantir transparência nos gastos públicos.
O governo ainda vai definir os valores que serão fixados nas diárias dos ministros. A expectativa é que elas fiquem em torno de R$ 415 para os ministros em viagens nacionais. No modelo atual, os ministros recebem diárias somente em viagens oficiais para fora do país.
Ao estabelecer o retorno das diárias, o governo pretende evitar gastos irregulares como os que foram feitos com os cartões corporativos em 2007.
Criados em 2001 para pagar despesas como compra de material, prestação de serviços e diárias de servidores em viagens, os cartões corporativos foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais, veterinária, óticas, choperias, joalherias e em free shop, segundo reportagem da Folha publicada no dia 23 de janeiro.