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A Frente de todos

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Data de Publicação: 13 de maio de 2008
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José Reinaldo

O governador achou que estava na hora de reunir os componentes da Frente de Libertação, movimento histórico que derrotou a rainha da oligarquia, Roseana Sarney, que queria muito voltar ao poder. José Sarney, ajudado pela sua passagem na Presidência da República, consolidou um poderoso grupo de comunicação, que pretendia ser hegemônico, com o único objetivo de manter o poder político no Maranhão.

Essa reunião, fato de grande relevância política, foi uma resposta a uma ação típica do grupo Sarney, que tenta sempre jogar uns contra os outros, publicando falsos diálogos e declarações mentirosas, como, aliás, denunciou o deputado Roberto Rocha, um dos principais alvos do grupo. Ora incensam alguns e escolhem candidatos que acham melhor enfrentar, ora demonizam outros de quem têm pavor. Esses são caluniados e insultados, pois pensam que assim amedrontam os menos decididos.

A reunião mostrou claramente que perderam tempo precioso. Todos estavam lá e o espírito público prevaleceu mais uma vez. Quem já está em campanha vai continuar tentando ampliar o seu espaço. Mas, nos reuniremos com certa freqüência e a próxima já está marcada para o dia 22 de maio.

O consenso alcançado no final da reunião, depois que todos usaram da palavra, foi resumido em três pontos: a coordenação é do governador; será feita pesquisa qualitativa, como a que fiz em 2006 e que acabou por nos indicar o caminho da vitória; e não existe candidatura inarredável; ou seja, a decisão final poderá ser por uma só candidatura ou por mais de uma. Nada decidido até agora.

O grupo Sarney vai com uma candidatura só, se tivermos uma candidatura fraca eleitoralmente, e concorrerá com vários candidatos se tivermos uma única muito forte.

Acho que o resultado do encontro só não agradou ao grupo do senador. Eles pensavam que tinham conseguido criar problemas intransponíveis entre nós, mas ficou demonstrado que já não influenciam ninguém com um mínimo de instrução e de experiência na vida. A cada dia, embora desfrutem ainda de considerável poder no governo federal, perdem credibilidade.

O governador, homem e político muito experiente, assimilava tudo com muita paciência. Já conhecia e já havia sentido na pele as calúnias e o modo de fazer política do grupo Sarney. Quando lhe pareceu que havia chegado o momento não se omitiu e convocou todos para a reunião de sexta-feira à noite. Acertou em cheio. Não se colocou como coordenador, mas aceitou a missão com o apelo unânime que recebeu. O processo está em boas mãos e a decisão final terá o apoio de todos. Tenho certeza de que não haverá briga nem dissensões. Mesmo porque a qualitativa vai ajudar muito na decisão a ser tomada sob a liderança de Jackson.

O maior temor de Sarney era a formação da Frente. Se ele conseguisse impedi-la, o decorrer da campanha traria seqüelas difíceis de arrumar a tempo para 2010. Foi assim que ele conseguiu manter o poder em suas mãos durante 40 anos. A oposição brigava, uns contra os outros, em todas as eleições e na hora mais importante não conseguia se unir. Era esse o ambiente em 2005, mas eu conhecia o processo pela visão do grupo Sarney, e conseguimos chegar a 2006 unidos.

A Frente não é apenas um movimento para ganhar eleições. Sua importância é muito maior. Ela pode ajudar a equilibrar o jogo de poder no governo federal. Unida ela tem 10 deputados, maior que muitos estados brasileiros ou que muitas bancadas partidárias no congresso. Dirão alguns que entre os dez temos 4 deputados federais do PSDB, oposição a Lula no Congresso. Mas esse é justamente um ponto forte para o governador. Os deputados do PSDB, cientes do momento, já se colocaram à disposição do governador que poderá dizer ao presidente que eles estarão com o governador. O governo federal terá, assim, mais 4 votos e como esses votos não serão contra o governo contarão, na verdade, 8. Portanto, será uma bancada nominal de 14 votos. Poucas são maiores que ela. Um trunfo muito importante nesse jogo de poder junto ao presidente Lula.

E é preciso denunciar à imprensa nacional o que o ex-presidente faz contra o Maranhão. Ele teme muito isso por causa da sua dupla personalidade. Lá fora é uma, do ex-presidente, do intelectual, do homem frágil que não faz mal a ninguém. Aqui todos o conhecem. Raivoso e vingativo, na vanguarda do atraso, poderoso e arrogante, temido não só pelos métodos que usa, mas pelas tramas que arma sempre com o objetivo de massacrar adversários. Ele passa a imagem, lá fora, de defensor do Maranhão, quando na verdade se empenha com dedicação a não deixar o estado se desenvolver. Um exemplo óbvio que precisamos denunciar é o impedimento político que faz, desde o meu governo, para o presidente Lula não visitar São Luís. Em todo o seu governo é a única capital que não recebeu o presidente desde o início de seu primeiro mandato. É possível ou explicável uma coisa assim? Em Teresina, capital vizinha, Lula já foi seis vezes. Na semana passada esteve lá e em seguida foi para Manaus, quase tão distante quanto o Rio de Janeiro. E não veio aqui tão pertinho...

A visita do presidente traz investimentos para o estado. É nesse momento que o governador torna-se interlocutor privilegiado. E tem uma oportunidade de ouro para solicitar investimentos. É por isso que o Sarney encrenca e puxa mil fantasmas para impedir o presidente de vir. As fotos do governador com o presidente lhe enchem de ciúmes. E a não vinda acaba parecendo que Lula evita estar com Jackson e, então Sarney usa esse argumento no convencimento de ministros para a pretendida cassação do governador. Já é tempo demais que isso vem acontecendo e precisa ser denunciado na imprensa do sul. Isso já é uma espécie de doença. Não existem precedentes.

Agora, para culminar, Sarney move ação contra o Jornal Pequeno. Pode? Em toda eleição ele tenta intimidar a imprensa com processos como esse. Já repararam?

E foi fazer isso em Brasília. Sabem por quê? Porque em Brasília poucos conhecem o jornal sério que é o Jornal Pequeno e também porque ninguém lê as sandices dos seus jornais. É preciso reação da nossa bancada mostrando no parlamento o que Sarney tenta fazer aqui. Dessa vez não vai funcionar, senador. Grande democrata que não agüenta crítica séria!

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras.

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