Manoel Santos Neto*
Ele nasceu Edivaldo, virou Bo Francineide e, como Bo Korsak, morreu na tarde da última terça-feira (6), para tristeza de seus amigos e familiares. Teve um fim melancólico, marcado por crises renais, que o levavam a deprimentes sessões de hemodiálise e freqüentes períodos de internação em hospitais. Deixa saudades na redação do Jornal Pequeno, porque todo sábado à tarde, lá estava ele: dando retoques nas notas de sua coluna, publicada às segundas-feiras neste JP. Pedia com carinho que eu fizesse a revisão de seus textos, e que Marcelo Araújo caprichasse no design de sua página.

Todas as vezes que lancei livros, ele estava lá, dando força e incentivo. Fez questão especialmente de ir ao último lançamento. Na noite de 25 de janeiro de 2007, chegou cedo ao Armazém da Estrela, na Praia Grande, onde eu e o jornalista Félix Alberto Lima lançamos Chagas em pessoa. Trata-se de uma obra que é o resultado de extensa reportagem publicada em outubro de 2004 por ocasião das comemorações dos 80 anos do poeta e cronista José Chagas. A reportagem venceu o Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, conquistando o Prêmio Bandeira Tribuzi de Jornalismo, promovido pela Prefeitura de São Luís.
Na época, o colunista fez elogios a mim e principalmente a Félix, que foi o verdadeiro dono da festa, para a qual conseguira apoio da Academia Maranhense de Letras e patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce. Mesmo doente, Bo Korsak sempre esbanjava entusiasmo e alegria. Com a saúde frágil, tornou-se um devoto ainda mais fervoroso de Nossa Senhora Aparecida, que dizia ser sua protetora desde pequeno. Ele se orgulhava em dizer que começou sua carreira profissional aos 16 anos, no JP, escrevendo notas sobre festas sociais.
Depois, passou pela redação do antigo Jornal de Hoje, O Imparcial, O Estado do Maranhão, onde por um certo tempo foi colaborador da revista Sete Dias, editada por PH. Nessa época, Bo Korsak era Bo Francineide. Ele costumava dizer que, ainda criança, muito gordinho, ganhou o apelido de “Bo” e depois virou Bo Francineide por causa de um satírico personagem de Jô Soares.
Foi após uma viagem a São Paulo, onde fez estágio numa empresa de marketing, que Bo regressou a São Luís com um novo nome: Bo Korsak. Ele teve ainda uma rápida passagem pelo jornal Atos e Fatos e por fim voltou ao JP. Devido a diabetes, foi também acometido de insuficiência renal crônica. Um de seus rins não funcionava mais, fazia hemodiálise, e esperou em vão a chance de poder fazer um transplante.
A morte de Bo encheu o Jornal Pequeno de tristeza. Ele foi sepultado quarta-feira (7) de manhã, no Cemitério do Gavião, onde companheiros da redação, Dona Hilda Bogéa, e seus filhos Lourival, Josilda, Ribinha, Gutinho e Luís Antônio, foram dar-lhe o derradeiro adeus. Levou consigo algumas superstições misturadas à fé cristã e também o estilo de um sujeito aparentemente mundano, mas que na verdade era uma pessoa extremamente espirituosa.
*Manoel Santos Neto é jornalista e repórter do Jornal Pequeno.