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O BOM SENSO DEVE PREVALECER
GRAU DE INVESTIMENTO

GRAU DE INVESTIMENTO

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Data de Publicação: 11 de maio de 2008
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Roberto Rocha

Governo e investidores vêm fazendo festa com a nota de grau de investimento conferida ao Brasil pela agência de avaliação de risco Standard & Poors, a qual, sem dúvida, trará um maior aporte de investimentos externos. Como se trata de um fato recente, ainda não se tem a medida exata de sua repercussão em outros setores da economia além do mercado de capitais, ficando a seqüência de altas das bolsas como o maior sinal de euforia. As autoridades monetárias se dividem quanto ao evento, uns achando que irá melhorar a qualidade do capital externo aqui investido, outros preocupados que a enchurrada de dinheiro possa desvalorizar ainda mais o dólar internamente e, com isso, prejudicar as exportações.

Sem querer discutir paternidades, pois bons e maus momentos econômicos não surgem da noite para o dia, e sim com um histórico mais amplo de vários governos, o fato é que o Brasil dá positivos sinais de desenvolvimento econômico. Existe uma maior demanda interna, com as pessoas consumindo mais, especialmente alimentos e utilidades.

O bom é que ao lado da boa fase da economia, puxada pela demanda e preços das commodities, o Brasil vem melhorando sua atenção com as pessoas mais humildes da sociedade mediante políticas sociais compensatórias. Ainda com um brutal déficit educacional, embora não se possam negar os avanços, as transferências de renda merecem destaque especial, visto que o Bolsa Família traduz de forma positiva o verdadeiro papel do Estado democrático.

Mas a economia brasileira, no entanto, diferente do que deixam transparecer os discursos de Lula pelo PAC afora, tem um grave problema a ser equacionado: a dívida pública interna. Aliás, uma outra agência, a Moody’s, não classificou bem o Brasil em sua avaliação anual e o manteve com o mesmo “ratin” soberano (nota de risco de crédito). A alegação é de que os indicadores da dívida pública brasileira estão fora dos parâmetros para a classificação no “grau de investimento”, ou seja, a agência não dá garantias ao dinheiro que seus clientes venham a investir no Brasil.

Isso tudo parece muito contraditório com a festa e os reiterados discursos alvissareiros do presidente Lula em torno da eliminação da dívida externa. O que ele afirma, e é verdade, com duzentos bilhões de dólares em créditos no exterior, a dita dívida estaria coberta com folga. Imagine tal fato, a eliminação da famigerada dívida externa, o que representaria para os brasileiros, ela que foi vista durante muito tempo como fonte de corrupção e de infelicidade geral. Mas o que houve em verdade foi o congelamento da dívida externa enquanto o país se endividou com a chamada dívida interna, cujos credores são brasileiros e estrangeiros.

Ando pouco preocupado com as agências de classificação de risco e muito menos se elas darão ou não a nota “grau de investimento” ao Brasil. Essa é uma questão que pouco tem a ver com as demandas reais da população, tais como emprego, saúde, educação etc. Minha preocupação maior, no entanto, é com a dívida pública brasileira; pois, mais que simplesmente “fora dos parâmetros”, tornou-se um assombro em tamanho e descontrole.

Para se ter uma idéia da voracidade com que a dívida interna devora as receitas públicas, os duzentos bilhões de dólares que o Brasil tem de reservas externas mal equivalem ao que se paga de juros da dívida interna a cada ano, ou seja, quase o mesmo montante que um programa da importância do Bolsa Família irá consumir nos próximos vinte anos. Além disso, a velocidade do crescimento desse passivo, que alcança níveis nunca imaginados, realmente assombra os que acompanham a sua evolução. As projeções disponíveis indicam que, em dezembro deste ano, essa dívida será de R$ 1,54 trilhão. Tudo decorrente da evolução dos juros, sem acrescentar um só tijolo na construção do país. Absurdo total.

Conclusão: já passou da hora de se promover um grande debate nacional em busca de uma solução para esse grave problema do governo e, mais ainda, da sociedade brasileira.

O deputado federal Roberto Rocha escreve para o Jornal Pequeno aos domingos. contato@robertorocha.com.br

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