Nem podia ser diferente. A mesma engenharia política que construiu a frente partidária responsável pela implosão do edifício da oligarquia, inclusive a suíte principal onde durante anos tramaram contra a democracia, as liberdades e o estado de Direito, volta a ser aplicada no Maranhão, tendo como arquiteto, desta vez, o governador Jackson Lago. O edifício caiu, falta agora destruir o alicerce. E a determinação parece ser a mesma; apenas o engenheiro já não é José Reinaldo Tavares.
O encontro reuniu os mesmos mestres de obras, que, sob o comando do ex-governador José Reinaldo Tavares, construíram em 2006 a Frente de Libertação do Maranhão.
Estavam lá os ex-governadores João Castelo e José Reinaldo, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado João Evangelista, o prefeito Tadeu Palácio, o ministro Edson Vidigal, candidato a governador pelo PSB; os deputados federais Domingos Dutra, Ribamar Alves, Roberto Rocha, Pinto Itamaraty, Carlos Brandão, Julião Amin, Davi Alves, Flávio Dino e Kleber Verde e o vereador Isaias Pereirinha, presidente da Câmara Municipal de São Luís.
O recado desses líderes é muito concreto. Permanece de pé a polarização ideológica que derrubou a oligarquia Sarney em 2006, mas tem de enfrentar agora uma oposição canibalesca, irresponsável e disposta a tudo. O recado é que os partidos permanecem na Frente e resguardam os ideais de luta contra a desagregação do Estado e contra a radicalização à direita do sarneisismo. A reorganização dessa frente política busca agora dar o golpe de misericórdia nos inimigos do povo.
Há, entretanto, um diferencial entre 2006 e 2008. Naquele ano disputavam-se duas eleições majoritárias, as de governador e senador. Neste, serão disputadas 217 eleições majoritárias correspondentes aos 217 municípios do Maranhão.
É a oportunidade que o grupo Sarney espera para reassentar suas bases desarticuladas e começar a reconstrução do poder dinástico da família imperial. Daí a importância da Frente de Libertação, reafirmada nesta sexta no Palácio dos Leões.
Neste momento, em que a população sacrificada pelo sarneisismo está sendo incluída na vida administrativa do Estado, é preciso estar atento a todas as conspirações contra o governo Jackson Lago. E a desunião é a melhor forma de armar os conspiradores.
Mais que atender a questões de doutrina, o grupo que esteve no Palácio na sexta-feira se organiza formalmente e voluntariamente para ocupar o poder político em cada um dos municípios que foram dominados historicamente pela oligarquia. Sem nenhuma reserva, podemos dizer que agora Sarney está realmente preocupado.
Ele apostava todas as fichas na dissidência entre os militantes de maior projeção e todos eles compareceram para reafirmar que não há candidatura inarredável; ou seja, a Frente de Libertação não se esgotou e dentro dela a grande maioria está disposta a sacrifícios em nome da vitória definitiva contra os burocratas que quase inviabilizaram o Maranhão.