Nas últimas semanas o chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Aderson Lago, foi vítima de vários ataques oriundos dos órgãos de comunicação do grupo Sarney (Sistema Mirante) e da base parlamentar deste mesmo grupo. Reconhecido como um dos mais ferrenhos adversários da velha oligarquia maranhense, Aderson, que foi deputado de oposição por 16 anos, foi ouvido ontem pelo Jornal Pequeno.
Jornal Pequeno - Como você recebe estes ataques?
Aderson Lago - O Sarney que me ataca hoje é o mesmo Sarney de sempre. É o mesmo do Caso Reis Pacheco, é o mesmo farsante que mentiu ao país sobre a grilagem do Convento das Mercês, é o mesmo que, na falta de argumentos, usa da calúnia, da injúria e da difamação como arma política. É o Sarney que, em 1994, vendo o poder lhe escorrer das mãos, tentou forjar um flagrante de drogas para envolver a filha do então senador Epitácio Cafeteira.
Nas telas e nos microfones do Sistema Mirante e também nas páginas do jornal O Estado do Maranhão eu já fui retratado como ladrão da Caema e um filho meu, de apenas 16 anos, ao se envolver num acidente automobilístico, foi tratado como assassino. No ano passado, quando adoeci, eles apostaram na minha morte e tripudiaram sobre a angústia de minha família. Hoje, um outro filho meu é atacado. É o preço que eu pago por anos de enfretamento. Mas continuarei a lutar contra eles. Quanto a estes ataques, costumo dizer que tenho o couro grosso. Há muito tempo estou ciente de que este é o preço que se paga na luta contra José Sarney.
JP - O senhor citou o Sistema Mirante como instrumento político do Sarney. Fale mais sobre isso.
AL - Lembro que no final de 2005, quando Sarney estava acuado com as questões envolvendo o Convento das Mercês, ele deu uma entrevista para a revista Carta Capital onde disse que ele e sua família só tinham veículos de comunicação para fazer política. Lembro que ele afirmou que se não fosse político não teria a necessidade de ter meios de comunicação. O problema é que o Sarney não faz política, faz politicagem. A mentira é sua eterna companheira. Por isso os seus veículos, lamentavelmente, acabam enveredando pelo mesmo caminho da politicagem e da mentira.
JP - Você acha que todos que resolvem enfrentar o grupo sofrem com algum tipo de baixaria?
AL - Existiram muitas vítimas ao longo da História. Do senador José Sarney ninguém deve esperar escrúpulos. Lembro que algum tempo atrás seus veículos chegaram ao cúmulo de insinuar que o então prefeito de São Luís Jackson Lago estaria envolvido em tráfico de drogas. É um caso que revela a falta de limites e revela até onde eles chegam com a mentira. Além do mais, neste caso do tráfico, é como diz o povo, é gente falando de corda em casa de enforcado.
JP - No seu caso recente, num intervalo de apenas dez dias, o Sistema Mirante o citou em pelo menos três casos: a condução coercitiva de Chiquinho Escórcio pela polícia, num ataque a um de seus filhos e num outro ataque a um prefeito que votou no senhor para governador. Qual sua reação diante de tudo isso?
AL - Já perdi as contas do número de vezes que processei o Sistema Mirante por calúnia, injúria e difamação. Tive inclusive várias sentenças favoráveis a mim. Hoje, diante de mais esse rosário de covardias, vou continuar a procurar os meus advogados para saber o que a lei me garante como defesa.
JP - Você não pretende responder? Não pretende esclarecer as denúncias?
AL - Existem denúncias e denúncias. Venho do parlamento. Estou acostumado ao debate. Mas existe uma diferença entre uma denúncia séria e a politicagem rasteira. Quando a coisa descamba para a canalhice fica difícil debater. O que fazer quando aquilo que eles propagam como denúncia não passa de um conjunto de mentiras deslavadas? Uma encenação montada por notórios farsantes? Aí não dá para responder. Não vale a pena. Até porque, quando Sarney quer fazer esse tipo de serviço sujo ele escolhe sempre o que há de mais ordinário na praça. E eu não estou disposto a bater boca com esse tipo de gente.