O BERIMBAU DOS DANTAS
Rio – Lourival Coutinho, jornalista e escritor, que, em 58, com Joel Silveira, escreveu “Petróleo do Brasil – Traição e Vitória”, dirigia o jornal “Panfleto” no segundo governo de Getúlio Vargas e o apoiava. Prestes, que fazia oposição a Vargas, disse sua única frase de humor conhecida:
- “É a primeira vez que vejo panfleto a favor”.
Humor também. Não há humor a favor. Humor é sempre contra. Nós, baianos, ficamos surpresos e indignados com o professor Antonio Natalino Dantas, veterano coordenador da Escola de Medicina da Universidade da Bahia, que tentou justificar com o QI baiano a péssima nota de sua Faculdade no exame do Enade, do ministério da Educação:
- “O baiano tem QI baixo. Só toca berimbau porque tem uma corda só. Se tivesse duas, não tocava”.
É uma injustiça, mas, reconheçamos, uma bela sacada de humor.
HUMOR
O professor Natalino Dantas pode ter aprendido essa sutileza de elefante lá em Minas. Em Peçanha, o vereador Agenor Leal de Souza chamou seu colega de Câmara Municipal, Tibúrcio Alves Pereira, de “beócio”. Tibúrcio levantou-se solene:
- Nobre vereador Agenor Leal de Souza, se a palavra “beócio” for agradativa ou adulativa, muito obrigado a V. Excia. Mas, se for atacativa, “beócio” é a mãe de V. Excia.
Era atacativa. O berimbau do professor Natalino Dantas também é atacativo. Mas, como nós, baianos, não temos QI de uma corda só, fique ele tranqüilo, que ninguém vai dizer que berimbau é a senhora mãe dele.
OS DANTAS
Não sei que Dantas é o professor Natalino Dantas. Na Bahia, os Dantas são milhares e seculares, um vasto tronco familiar, atuante e brilhante na vida, na política, na economia, na história do estado.
Os Dantas vêm de muito dantes. O principal foi o governador Manuel Pinto de Sousa Dantas (1865), também governador de Alagoas (1859). Não fôra ele, e nosso Rui Barbosa talvez não tivesse sido o que foi.
Formado em Direito em Recife, em 1870, aos 21 anos, “Rui voltou para a Bahia doente, estressado, depressivo, magro e com tonteiras permanentes. Os médicos recomendaram uma estação de águas perto de Paris. Ficou quatro meses e não adiantou. Era melhor vir morrer em casa.
Veio. Um médico português, que passava pela Bahia, o viu e curou:
- Seu mal é fome. “Coma até pedras”. Comeu tudo e ficou bom. O pai de Rui já morto, Manoel Dantas, que Rui chamava de “meu segundo pai”, chefe do Partido Liberal na Bahia, levou Rui para seu escritório de advocacia e lhe entregou a direção de seu “Diário da Bahia”.
E nunca pararam de surgir ilustres Dantas na Bahia: Cícero Dantas, deputado do Império e barão de Jeremoabo; Cícero Dantas, governador da Bahia na República; deputados João Dantas, Dantas Júnior, João Carlos T. Dantas, Sergio Tourinho Dantas. E o vulcânico banqueiro Daniel Dantas.
LIVRARIA CULTURA
Da Livraria Cultura, de São Paulo, recebi esta carta:
“Prezado Sebastião Nery, gostaríamos de esclarecer alguns pontos sobre a acusação feita por Leonardo Cuisse Araújo em carta publicada na sua coluna de 8 de maio de 2008. Leonardo é funcionário da Livraria Cultura e está afastado desde abril de 2007 por motivos de saúde. Ele iniciou tratamento médico contra um câncer em agosto do ano passado e teve todos os custos cobertos pela seguradora de saúde com a qual a Livraria Cultura mantém contrato desde abril de 2006. Como a quimioterapia oral (uso do medicamento Temodal) prescrita para Leonardo não tinha cobertura do plano de saúde, conforme cláusula contratual, e seu custo era extremamente elevado, a Livraria Cultura decidiu arcar com esta despesa para que Leonardo pudesse seguir seu tratamento adequadamente. A Livraria Cultura pagou a quimioterapia oral de Leonardo por seis meses e, neste período, se ofereceu para pagar os honorários de um advogado para que ele acionasse judicialmente o Estado para receber dele o medicamento. Afinal, este é um direito constitucional de todo cidadão brasileiro. O funcionário não quis acionar o Estado, sem qualquer justificativa. Mas, em março de 2008 a Livraria Cultura descobriu o porquê. Leonardo já havia acionado o Estado e, através de uma tutela antecipada, já tinha assegurado o direito de receber o Temodal gratuitamente. Dessa forma, tornara-se desnecessário o fornecimento do medicamento pela Livraria Cultura, o que era feito por mera liberalidade. Diferentemente do que o Leonardo afirma, ele continua associado ao referido plano de saúde. A Livraria Cultura também não mudou de plano de saúde, como Leonardo menciona em sua carta. A seguradora apenas trocou a rede credenciada e, inclusive, Leonardo dispõe agora de duas redes de atendimento, a própria da seguradora e uma rede terceirizada com cobertura nacional. Ou seja, Leonardo continua tendo todo seu tratamento pago pela seguradora e ainda tem o direito de receber a medicação prescrita pelo Estado. A Livraria Cultura é uma empresa idônea e todos os comprovantes necessários para a verificação da veracidade do que afirmamos nesta carta estão disponíveis em nossa sede, como a tutela do Estado e a apólice em vigor de seu plano de saúde. O seguro saúde empresarial contratado pela Livraria Cultura está de acordo com a Lei 9656/98 e cumpre todas as exigências da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Sem mais, Livraria Cultura S.A”.
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