Há 25 anos, a dona-de-casa Sueli de Paula Viana, 50 anos, deu à luz ao filho Nelson Wedsley de Paula Viana, em Brás Cubas, distrito de Mogi das Cruzes (Grande SP). Desde então, ela sofre com dores crônicas na barriga e nas pernas, mal-estar e hemorragias. Passou por vários médicos, realizou vários exames, teve de parar de trabalhar, mas não descobria a causa do problema. Até que, há dois meses, um raio-X apontou a presença de um objeto estranho em seu abdômen: uma tesoura.
Segundo Sueli, o objeto foi esquecido na cesariana, feita pelo médico Golbert Borges, já morto, no Hospital Santana, em Mogi. Terça-feira, Sueli procurou a delegacia para registrar o ocorrido, e um inquérito policial foi instaurado para apurar o caso. O advogado dela, Carlos Lukareski, pedirá indenização ao hospital por danos morais e materiais.
“Confesso que agora eu tenho medo, estou preocupada. Quando eu não sabia o que havia, sentia dores quando a tesoura se movimentava, mas não sabia que tinha algo estranho dentro de mim. Fiquei três anos fazendo tratamento para diabetes, minha barriga ficou defeituosa e perdi meus dentes pela quantidade de antibióticos que tomei sem saber qual era a causa do problema”, afirmou Sueli.
Ela contou que sempre foi independente e sofreu muito por ter de deixar diversos empregos devido às dores que sentia. “Trabalhei em boas empresas, mas não parava porque tinha muita dor. Vivo agora de bicos, trabalho como segurança, cuido de crianças, o que consigo fazer”, disse.
Sueli afirmou que há seis anos não entra em agências bancárias porque cansou de ser “barrada” no detector de metais. “Se você me perguntar como é um banco por dentro, eu não sei. Não consegui entrar várias vezes porque o detector apitava e eu não sabia o porquê. Desisti de ir ao banco, meu filho paga as contas para mim”, declarou.
No dia do parto, em 5 de maio de 1983, Sueli entrou na sala de operações às 2h da madrugada. A cesariana foi complicada, e a anestesia não pegou. Ela foi totalmente sedada e acordou só 13 horas depois, sentindo dores.