Por José Linhares Jr.
OPERAÇÃO NÊMESIS
Em mais uma operação iniciada com investigações da Controladoria Geral da União (CGU), a Polícia Federal conseguiu prender na manhã de ontem, 9, uma quadrilha responsável pelo desvio de mais de R$ 1,5 milhão do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde (NEMS). Foram presos quatro funcionários do NEMS e um gerente do Banco do Brasil, que também estaria envolvido na fraude. A operação que resultou na prisão da quadrilha foi batizada de Nêmesis.
A fraude – O esquema era direcionado para o desvio de dinheiro proveniente de Suprimentos de Fundos (recursos destinados ao pagamento gastos que dispensam licitações em repartições públicas federais).

Para conseguir a liberação dos recursos, a chefe do setor financeiro do NEMS, Rosângela Ramos Santos, forjava pedidos para o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), órgão responsável pela liberação dos recursos. O Siafi disponibilizava então os valores que depois eram pagos por meio de Ordens Bancárias de Pagamento (OBPs) no Banco do Brasil.
A responsável pelo setor financeiro então destacava funcionários do NEMS para receber o dinheiro. De acordo com investigações da PF, alguns recebiam quantias em dinheiro como forma de pagamento pela participação nas fraudes. Outros funcionários, no entanto, tinham suas assinaturas falsificadas pela chefe do departamento financeiro.
Para conseguir a liberação do dinheiro, a líder da quadrilha contava com a participação de um gerente do Banco do Brasil que autorizava os saques das ordens bancárias sem a presença dos titulares das assinaturas e sem o documento de identidade para a confrontação de assinaturas.
Suspeitas da CGU indicam que a quadrilha agia desde 2003. Entretanto, apenas no ano passado a fraude começou a ser investigada. “Auditores da CGU notaram a falta de notas fiscais em muitos procedimentos. Começamos a pedi-las para o setor financeiro do NEMS que dava informações difusas à respeito do paradeiro das notas fiscais. Também começamos a notar que os valores disponibilizados pelo Siafi eram gastos integralmente, algo que não é muito rotineiro. A partir daí iniciamos a investigação que acabou por desvendar o esquema de fraude”, explicou Arnaldo Guilherme, chefe substituto da CGU no Maranhão.
A sensação de impunidade era tamanha que a chefe do esquema depositava o dinheiro sacado das OBPs em sua conta, na do marido, Jorge Edídio Rodrigues, e de outras pessoas possivelmente ligadas ao esquema logo depois de realizar os saques.
Prisões – A Polícia Federal cumpriu com êxito cinco mandatos de prisão na manhã de ontem e mais cinco mandatos de busca e apreensão, todos expedidos pelo juiz federal José Magno Linhares. Foram presos dois homens e três mulheres.
Além de Rosângela Santos e Jorge Edídio Rodrigues, foram presos também, José Umberto Câmara, José Ribamar Arouche e Luzmarina Moraes.