Por Jully Camilo
TAMBAÚ
No início da noite de quinta-feira, 8, aproximadamente 150 famílias do bairro Tambaú e adjacências ocuparam uma propriedade particular, que mede cerca de 150x250m², situada na avenida 3, próximo a um campo de futebol no Tambaú, município de Paço do Lumiar. Segundo os populares, o local está abandonado há cerca de 20 anos e serve como esconderijo para marginais e refúgio para usuários de drogas.

Segundo um dos líderes da ocupação, que preferiu não se identificar, o terreno pertence a vários irmãos e se trata de uma propriedade deixada como herança, com muitos anos de impostos atrasados. “Ouvimos dizer que o débito chega a R$ 200 mil. Eles até colocaram placa de venda no valor de R$ 300 mil, mas ninguém teve coragem de comprar por conta da quantidade de impostos atrasados. Há cinco anos uma garota foi estuprada e queimada, e teve o corpo jogado aqui neste terreno. Sem contar com os inúmeros assaltos que acontecem todos os dias”, relatou o morador.
A iniciativa foi uma ação conjunta de centenas de moradores que decidiram dar um destino para o terreno que além de ter sido tomado pelo mato, virou depósito de lixo e concentra um enorme foco de dengue. Isso, porque na propriedade, além das ruínas, restou uma piscina cheia de água, com entulhos, lixo e dezenas de insetos. “Vamos dividir o terreno por lotes, doando uma área de 10x30m², para cada família desabrigada. E se os donos resolverem aparecer estamos dispostos a negociar dentro da possibilidade de cada um. Nem que para isso precisemos pagar por cada pedacinho invadido”, afirmou o vigilante Raimundo Nonato Silva Filho.
A comunidade explicou que um dos herdeiros é advogado e conhecido apenas por Pedro, e que toda vez que há um protesto ele manda apenas roçar o mato. O problema é que a última vez que isso aconteceu foi há cinco anos. E segundo o morador José Gonçalves, o advogado garantiu que mandaria entupir a piscina, mas até agora nada. “Se eles não tomaram uma decisão nós a fizemos, afinal, as pessoas que estão aqui precisam de um teto e não podem continuar na rua, enquanto um terreno grande como este, fique aqui servindo apenas para os agentes da criminalidade”, enfatizou José Gonçalves.
O responsável em vigiar o terreno já teria avisado aos proprietários, mas até o final da tarde de ontem, 9, os mesmos não teriam comparecido ao local.