A densidade política do ex-governador José Reinaldo Tavares, herdada da condição de artífice da Frente de Libertação no ano de 2006, coloca-o cada vez mais próximo de disputar a eleição para prefeito de São Luís em 2008.
Os primeiros encontros partidários mostram um desenho bem diferente do que esperavam as lideranças para o ano de 2008. A verdade é que ninguém se entende nas bases partidárias e, por conta disso, estão surgindo candidatos demais em todas as siglas e em algumas delas já há claros sinais de dissidências e até ameaça de cisões.
O exemplo do PDT é clássico. O brusco apoio do prefeito Tadeu Palácio à candidatura de Clodomir Paz provocou manifestações públicas do secretário Moacir Feitosa e do deputado federal Julião Amin. O caminho a ser seguido pelo PDT provavelmente será decidido na Convenção e não anda fácil acalmar os ânimos dos correligionários brizolistas neste momento.
A opção do PT em apoiar a candidatura do deputado federal Flávio Dino, se não é capaz de provocar cisões devido às características ideológicas próprias do Partido dos Trabalhadores, pode isolar algumas tendências do processo político e até encaminhá-las na direção de outras candidaturas.
No PSDB, a candidatura de João Castelo, apesar da densidade eleitoral e da força que seu nome sugere, ainda não é um consenso, posto que muitas das lideranças do partido, aliás a sua grande maioria, defendem a reedição da Frente de Libertação para 2008, seja em torno de seu nome, seja em torno de um nome de outra sigla partidária. A presidente do Diretório Municipal do PSDB, Helena Duaillibe, prefere convocar o ex-governador José Reinaldo Tavares a participar do processo eleitoral, e na condição de candidato a prefeito de São Luís pela Frente de Libertação.
O PSB (Partido Comunista Brasileiro) aposta no nome do ex-governador José Reinaldo Tavares como consenso para liderar esse processo disputando a sucessão do prefeito Tadeu Palácio.
O grupo do senador José Sarney navega em águas mais tranqüilas no que diz respeito à escolha de nomes, posto que parece ser consenso o lançamento de duas candidaturas, provavelmente Gastão Vieira e Raimundo Cutrim, destinadas a se unir num eventual segundo turno.
Nesse processo, falta apenas a manifestação pública do governador Jackson Lago, cuja decisão envolve situações distintas, como compromissos assumidos em 2006 e a necessidade de atender a exigências de seu Partido.
De qualquer modo, é bom que tenha sido colocado o nome do ex-governador José Reinaldo que já não parece tão apático diante da idéia. Como disse o deputado Ribamar Alves, ele tem condições de reaglutinar uma grande frente de partidos para vencer as eleições. De fato, o momento político exige a presença de um pacificador. E o governador Jackson Lago parece que já teve essa compreensão. Daí, ter convocado uma grande reunião (ocorrida ontem à noite), com a presença das forças que integraram a Frente de Libertação do Maranhão, para dar início a esse novo processo, agora, tudo indica, sob o seu comando. Antes tarde do que nunca.