Mais de um terço dos trabalhadores por conta própria ganham menos que um salário mínimo, de acordo com dados divulgados ontem, 30, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sobre o mercado de trabalho deste segmento em seis regiões metropolitanas do país. Ao todo, 35,2% ganham menos que R$ 415 mensais. Se for analisado o universo dos 21,3 milhões de trabalhadores ocupados, constata-se que 18,7% ganham menos de um salário mínimo.
A análise dos rendimentos dos trabalhadores autônomos mostra que a média salarial deste grupo, de R$ 1.083,50, ainda está abaixo da média da população ocupada, que chega a R$ 1.188,90 mensais. Nos últimos 12 meses terminados em março, no entanto, o rendimento dos trabalhadores por conta própria cresceu 5,4%, enquanto que na média da população ocupada, houve incremento de 2,8% do rendimento.
O gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, atribuiu essa recuperação, entre outros fatores, ao aumento da renda do trabalhador. Como a maior parte dos trabalhadores autônomos está concentrada no comércio (1,1 milhão de trabalhadores, que representam 28,3% do total), o crescimento da economia acaba refletindo nos ganhos dos trabalhadores autônomos dessa classe.
A diferença de rendimentos entre homens e mulheres que trabalham por conta própria não difere muito do que é verificado no mercado total de trabalho. As trabalhadoras autônomas ganham R$ 782,70 médios, 32,7% abaixo dos R$ 1.162,40 ganhos pelos homens, em média. Na avaliação de toda a população ocupada, as mulheres ganham 29% a menos do que os homens.
Na análise dos ganhos pela cor dos trabalhadores, verifica-se que os autônomos de cor branca recebem, em média, R$ 1.295,20. Esse valor é 49,8% superior aos R$ 649,80 constatados entre a população de cor preta ou parda. Em toda a população ocupada, essa diferença é de 48,2%.
A pesquisa demonstra ainda que, à medida em que a escolaridade do trabalhador por conta própria aumenta, menor é a diferença de rendimentos para o total da população ocupada.