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Data de Publicação: 1 de maio de 2008
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Versus venda da Cemar

Felinto Ribeiro

E-mail: felintoribeiroescritor@yahoo.com.br

ou Site: www.felintoribeiro.xpg.com.br

Folha de S.Paulo - 29/04/2004

De graça

Luís Nassif

Recebo e-mails de Romeu Donizete Rufino, superintendente de Fiscalização Econômico-Financeira da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), de José Drumond Saraiva, presidente em exercício da Eletrobrás, do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão, com ampla documentação, além da carta da GP Investimentos ao “Painel do Leitor” da Folha e do representante da Mt. Baker. Todos sobre a transferência do controle da Cemar (Central Energética do Maranhão) para a SVM Participações e Empreendimentos Ltda. Depois de um processo licitatório conduzido pela Aneel, a Cemar foi transferida para a SVM Participações e Empreendimentos Ltda. pelo valor simbólico de R$ 1.

A Cemar pertencia à PPL Global, norte-americana que desistiu, depois de se afundar em dívidas. A SVM é uma empresa nacional, mas controlada por um fundo sediado em um paraíso fiscal norte-americano (o Brazil Development Equity Investment), por sua vez controlado por outro fundo, o GP Capital Partners 2, sediado em outro paraíso fiscal, Grand Cayman, e gerido pela GP Investimentos. A Cemar está no Maranhão, estado do presidente do Senado, José Sarney - que tem influência política não apenas na empresa (que já foi presidida por seu filho) como na Eletronorte e, agora, na Eletrobrás. Por sua indicação, assumiu a presidência da Eletrobrás um ex-presidente da Cemar. As duas condições para assumir a Cemar eram renegociar a dívida com o maior credor (a Eletrobrás) e com os bancos privados e debenturistas. A Eletrobrás aceitou transformar parte em capitalização e parte a ser paga a longo prazo, em ato assinado pelo ministro da Fazenda e pela ministra de Minas e Energia. Os bancos e debenturistas aceitaram descontos que já haviam sido obtidos, anteriormente, pelo interventor da Aneel na empresa.

A proposta da SVM previa um aporte de R$ 30 milhões. Pelos resultados da empresa em 2003, provavelmente a geração de caixa permitirá bancar o serviço da dívida, os investimentos básicos e devolver aos investidores, já no primeiro ano, os R$ 30 milhões que investiram na frente. Há alguma coisa de errado no processo. A Eletrobrás explica que não cabia a ela definir a licitação, mas apenas negociar as suas dívidas com a Cemar. Recusa-se a divulgar as planilhas com as propostas financeiras, mas se coloca à disposição para mostrá-las pessoalmente. Já a Aneel informa que foram feitas várias exigências à SVM. Como reinvestir na companhia créditos de R$ 75 milhões detidos pela antiga controladora PPL Global, assim como investir R$ 30 milhões na frente e reestruturar a dívida nos bancos privados. Ora, isso lá é exigência? Transfere-se de graça a companhia a outro controlador e se diz que a “exigência” é o controlador não embolsar créditos devidos ao controlador antigo. Também quero. Sejam lá quais foram as razões, a companhia foi dada de presente a um grupo privado. Paro por aqui, para não cansar os leitores. Na sexta-feira, próxima assembléia da Cemar, o fato será consumado. E-mail - Luisnassif@uol.com.br

A respeito do artigo do jornalista Luís Nassif, analisa e comenta o historiador Felinto Ribeiro: “Graças ao bravo jornalista Luis Nassif, passamos a tomar conhecimento de uma transação espúria que foi um verdadeiro assalto ao patrimônio do Estado. A sociedade maranhense, não pode ficar de braços cruzados, diante de um crime sem precedência, contra os interesses do estado.

A transação em causa tornou-se um motivo do interesse do cacique senador do Amapá José Sarney em simular o seu afastamento do Senado para escrever as suas memórias, juntamente com sua filha senadora Roseana e seu aliado senador Ivan Borges, do Amapá e Edson Lobão, do Maranhão, formando o cateto político para aniquilar o patrimônio do Maranhão. Foi apenas uma burla para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomear o senador Edson Lobão ministro de Minas e Energia e os cargos em que detém o controle administrativo dos departamentos subordinados ao Ministério das Minas e Energias.

Esta novela criminosa tem que ser exposta ao conhecimento de todos, já chega aos 40 anos de enganação de nosso povo, muitos tem conhecimentos dos fatos, talvez por interesses se recusam a comentar, outros com receio de represálias, mas um dia a verdade surgirá cristalina como as nascentes de mananciais em montes pedregosos. A história espúria foi publicada pelo bravo jornalista Luis Nassif da Folha de São Paulo em 29.04.2004.

Dizia o Padre Antônio Viera que cegos são os que vêem e fazem que não vêem, surdos os que ouvem e fazem que não ouvem. O que é mais lamentável é que o arquiteto desta transação criminosa contra o interesse do Estado, se diz um discípulo de Padre Antônio Vieira e vai ao Senado da República em alto e bom som proclamar que é um seguidor daquele grande gênio da literatura eclesiástica universal. Judas também se dizia seguidor de Cristo mas era um ladrão como tesoureiro que roubava os dinheiros das doações.

O maior orador sacro da Igreja Católica foi o Padre Antônio Vieira que com tanta bravura teve coragem ao insultar a divindade em próprio púlpito, na critica por Deus haver permitido que povos de outros crédulos religiosos transformassem a casa de Deus em baias para os seus cavalos, por ocasião da Invasão dos Holandeses na Bahia.

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