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Esses Moços

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Data de Publicação: 1 de maio de 2008
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EdsonVidigal

Nas esquinas das cidades ou nos povoados distantes, 9 horas da manhã ou 6 horas da tarde, o verde da mesa de bilhar, o branco de uma geladeira, o cartaz na parede da moça sensual instigando o consumo e, ao vivo, o resultado imediato. Garrafas se esvaziando, copos com espuma pela metade. Almas também se esvaziando.

Ver aquelas pessoas já bêbadas ou se embebedando me escandalizava tanto como se em cada lugar em que eu chegasse, encontrando a mesma cena, eu estivesse vendo tudo pela primeira vez. Muito raro encontrar nessas vendas um bolo caseiro, uma garapa, uma fruta, mesmo uma penca de bananas. Só grogue.

O alcoolismo hoje parece estar mais infiltrado entre os jovens. Muitos pais até se conformam dando graças a Deus porque seus filhos não estão mexendo com drogas, achando que dos males, o menor. Nada disso, o álcool é droga também. Entre os jovens, na maioria dos casos, é passaporte para as mais pesadas. É o maior causador das internações por transtornos mentais. E das desavenças em família.

Mas o que tem levado tantos moços, e moças também, a se acharem felizes ou super gente ao se entregarem à falsa euforia do álcool, que depois os deprime ou os preenche de agressividade?

O alheamento do Estado, ineficaz em suas políticas públicas em relação aos jovens. Outras causas dos descaminhos estariam no enfraquecimento do tecido social com o desprestígio da família, da escola e da religião. Inegável que não é só isso. Outros fatores, dentre eles a falta de qualificação profissional e o desemprego, alimentam o problema.

Cresce o desemprego entre os jovens. Em 1990, o contingente de jovens sem emprego, entre 15 e 24 anos de idade, chegava a 10,7%. Em 1998, 17,2%. O acesso ao mercado de trabalho tem sido para eles muito mais difícil. O desemprego é maior para as moças.

Muito há a fazer no combate ao alcoolismo, especialmente entre os jovens. Dificultar o acesso, aumentar o preço através do aumento dos impostos, acabando com incentivos fiscais às indústrias de bebidas alcoólicas, criando embaraços e aumentando a fiscalização nos locais de venda e reduzindo-lhes os horários de funcionamento.

Não apenas campanhas de conscientização. As moças, por exemplo, precisam saber que o consumo do álcool repercute mais tarde na gravidez, causando problemas no desenvolvimento das crianças, tipo alterações cerebrais, neurológicas, psíquicas, deformações na cabeça, retardo mental.

Ampliar os espaços de diálogo e de tolerância para que os nossos jovens possam ser motivados à participação, sendo protagonistas e não observadores indiferentes às tentativas pálidas de chamamento do Estado. Incentivar o empreendedorismo juvenil. Sem isso, o resultado sempre é a vitória da marginalidade, estimulando gangues nas periferias.

Nossos jovens querem discutir, querem participar, querem, eles também, ajudar mudando as coisas. Os jovens hoje já não se conformam apenas com o bom executivo administrando. Querem mais, querem um líder governando. Buscam exemplos que possam seguir, paradigmas em que possam se mirar.

Edson Vidigal, ex-presidente do STJ, professor de Direito na Ufma, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.

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