É legítimo o documento dos movimentos sociais que se contrapõem à instalação de uma Usina Termelétrica em São Luís. As razões ecológicas ali definidas são as que, afinal, preocupam a humanidade como um todo. Difícil é localizar que reais interesses estão por trás desse apetite ecológico repentino do grupo político liderado pelo eterno defensor de todos os grandes projetos que pretendem vir para Maranhão: José Sarney.
Essa gente, que acusou o governador Jackson Lago de inércia pelo fato do Pólo Siderúrgico ter ido parar em outro Estado, veste agora a camiseta verde de paladina do ar e da água, neo-defensora do direito à respiração.
Contra tudo e contra todos, trouxeram a Alumar para o Maranhão, contra tudo e contra todos patrocinaram a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Mesmo diante de manifestações dos ideólogos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, deixaram cair no colo de São Luís todos os projetos, que, por razões sempre suspeitas, eram do interesse deles.
Quando diz que espera que não seja o volume de recursos desse empreendimento, quase um bilhão e meio de dólares, que esteja atraindo a determinação legislativa do deputado Ricardo Murad, o secretário de Meio Ambiente, Othelino Neto, sinaliza que tem coelho, e coelho muito gordo, nessa toca. Queira Deus, esses movimentos sociais não sejam traídos a meio caminho pelo mentor da pretensa CPI, deputado Ricardo Murad. Essa gente de Sarney não pode sentir cheiro de dinheiro. É só lembrar a quebra da Sudam e outros desastres financeiros que patrocinaram no país e no Estado com seus olhos gordos.
Ademais, estão colocando o carro adiante dos bois. Por que essa pretensa CPI tem que ser instalada antes que se concluam as audiências públicas relativas ao empreendimento? É bom nem perguntar porque Sarney é a favor de um Pólo Siderúrgico, cuja capacidade de poluição é idêntica ou maior, mas desafia o projeto do Governo Lula de alcançar a auto-suficiência em termos de geração de energia no Brasil.
Vai ser muito triste descobrir, no auge das investigações, que a Assembléia Legislativa do Maranhão instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito cujo objeto final é servir de instrumento de chantagem, pois que de chantagem e difamação esses sarneisistas entendem muito bem. Afinal de contas, eles hoje estão fora do Governo e já não podem mais propor sociedade compulsória aos grupos econômicos e empresariais interessados em investir no Maranhão. Coisa que seu Jorge Murad - e isso consta cristalinamente da memória administrativa maranhense - fazia 'na maior'. Consta que muitos empreendedores fugiram do Estado para não ter que se sujeitar a tamanha indecência.
Os movimentos sociais que encaminharam o documento à Assembléia estão defendendo idéias e têm reais preocupações com São Luís. Mas como o requerimento da CPI tem a assinatura de Ricardo Murad, suspeita-se de que nessa novela os protagonistas serão traídos, enganados e usados. Por isso, deixa-se com eles, gratuitamente, o mesmo conselho daquele cara da Portelinha: "muita calma nessa hora".