MANIFESTAÇÃO NA JANAÍNA
Ontem, eles impediram os ônibus da Solemar de circular pela manhã
Moradores da Vila Janaína, Vila Riod e Santa Clara fizeram protesto na manhã de ontem e impediram que os ônibus da empresa Solemar saíssem do ponto final, que fica na avenida Nossa Senhora da Conceição, na Janaína. Os populares reivindicam a implantação de mais linhas de ônibus na Vila Janaína e Riod, e melhorias nas ruas dos três bairros, que, segundo eles, estão praticamente intrafegáveis. Munidos de faixas e cartazes, os manifestantes cercaram os ônibus estacionados e nenhum motorista pôde seguir viagem. Uma das faixas exibidas também pedia a volta do Serviço Velado da Polícia Militar.

Durante a manifestação, um motorista tentou seguir viagem e foi impedido pela população. Houve princípio de tumulto. A PM foi chamada. Duas viaturas ficaram de plantão no local, a fim de evitar conflitos. O protesto começou às 7h e às 11h ainda não havia terminado. Nenhum representante da empresa Solemar compareceu ao local para falar com os manifestantes.
O problema – De acordo com José de Jesus Costa Oliveira, o “Zequinha”, vice-presidente da Associação de Moradores da Vila Riod, a comunidade já havia enviado, há uma semana, um ofício à Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), 6º Batalhão da Polícia Militar e Consórcio São Cristóvão, comunicando sobre a manifestação, mas nenhum dos órgãos teria procurado a comunidade para tentar uma solução para o caso.
“A Vila Riod e a Janaína só contam com os ônibus da Solemar. O bairro Santa Clara é servido por mais de cinco empresas, mas como eles também sofrem com os problemas de falta de infra-estrutura das ruas, resolveram nos apoiar nessa manifestação”, explicou “Zequinha”.
Por causa do protesto, muitos usuários de transporte coletivo tiveram que andar até ao Jardim Tropical para pegar ônibus. “Eu estava dentro do ônibus, e quando chegamos no ponto final todo mundo teve que descer. Foi uma correria. Estávamos levando criança para a escola e tivemos que andar com elas nos braços até o Jardim Tropical, para não chegarmos atrasados”, disse Eliene Moraes da Silva, doméstica e babá.
Segundo “Zequinha”, dois dias antes da manifestação, a Associação de Moradores utilizou carro de som para informar à população que não haveria como pegar ônibus durante o protesto. “Explicamos o que estava acontecendo e pedimos à comunidade que encontrassem soluções a curto prazo, até que as autoridades atendam às nossas reivindicações”.
Motoristas – Apesar da rejeição de alguns, a maioria dos motoristas da Solemar apoiaram os moradores. “Eles estão corretos em suas reivindicações. As ruas dos bairros estão realmente intrafegáveis. Tanto é que nós, motoristas, não estamos conseguindo cumprir o prazo de 100 minutos do ponto final ao centro da cidade, como exigem as empresas. Assim, tem dias que nem almoçamos para poder cumprir o horário”, contou Francisco Moraes, motorista de ônibus e diretor do Sindicato dos Rodoviários de São Luís.
Francisco disse, ainda, que seriam necessários 130 minutos para concluir esse percurso exigido pelas empresas. Ele também reclamou que em alguns ônibus há um aparelho que detecta queda em buracos ou freadas mais bruscas. Este aparelho, segundo o motorista, não pode ser acionado mais de cinco vezes, senão o ônibus é guinchado pela empresa. “Agora me diz se podemos trafegar por ruas como essas da Vila Janaína, Riod e Santa Clara sem acionar este aparelho? Isso não existe. Só quem é ou já foi motorista de ônibus, sabe da pressão que sofremos diariamente. Por isso sou a favor do protesto”, concluiu.
(Da Redação)