A Justiça do Rio determinou ontem que o governo do Estado e a prefeitura da capital comprovem, em um prazo de 48 horas, que os pacientes com dengue estão recebendo atendimento tanto em hospitais públicos como particulares. O número de mortes causadas pela dengue no Estado desde o início de 2008, divulgado anteontem (31), chega a 67 --44 somente na cidade do Rio. Caso não comprovem o atendimento, a Justiça ameaça bloquear verbas.
O objetivo da decisão da juíza Anna Eliza Duarte Diab Jorge, da 10ª Vara de Fazenda Pública, é garantir o cumprimento de liminar expedida na última sexta-feira (28), que determina o encaminhamento de pacientes para unidades de saúde privadas, quando a demanda ultrapassar a capacidade de atendimento da rede pública.
De acordo com informações do Ministério Público Estadual, caso as autoridades não comprovem que estão garantindo o atendimento, a Justiça poderá fazer o bloqueio imediato de verbas destinadas a políticas não prioritárias, como shows na orla e publicidade.
A liminar de sexta-feira garante que qualquer pessoa com suspeita de dengue tem garantido o primeiro atendimento, o tratamento ambulatorial, exames e internação, e outras providências necessárias ao diagnóstico e ao tratamento da doença.
Nos casos em que o socorro for prestado por clínicas e hospitais privados, o pagamento deverá ser feito no máximo em 20 dias, com base na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).
Queda de braço - O governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB) cobrou hoje ações da prefeitura de atendimento à população.
"Quero fazer um apelo à prefeitura: que ela abra pelo menos a metade dos seus cem postos de saúde durante o final de semana, 24 horas [por dia]".
Segundo Cabral, o atendimento à saúde da prefeitura tem capilaridade, com a presença de postos em muitos bairros. "Então, se os postos abrissem 24 horas, seria muito importante para a cidade".
Durante inauguração de 94 leitos infantis no Hospital Anchieta, no Caju, zona portuária, Cabral disse que a ampliação do atendimento médico pela prefeitura vai dar mais conforto aos doentes, que não vão precisar ficar internados.