Quando a reportagem do JP chegou ao Jardim São Cristóvão, por volta das 10h de ontem, encontrou moradores desesperados, ainda retirando a água da chuva que inundou suas casas, durante a madrugada. O rio Paciência, que corta o bairro, transbordou, e muitos moradores concederam entrevista com a água até a cintura. Alguns choravam ao relatar o sufoco que passaram durante a chuva. Outros, indignados, soltavam impropérios contra o poder público e até contra a imprensa. O Tambaú e áreas que ficam na estrada de São José de Ribamar também foram atingidos.
A avenida São Jorge foi uma das mais prejudicadas. Quase todas as casas foram invadidas pela água, que subiu cerca de 1 metro. O pedreiro Francisco Fernandes, disse que foi uma das piores noites da vida dele. “Tenho um filho de 3 anos e foi terrível vê-lo chorando e a água subindo, molhando tudo. Ele só dormiu porque armamos uma rede bem no alto. Eu e minha esposa não conseguimos dormir. Mesmo assim, perdemos colchões, guarda-roupa, eletrodomésticos... tudo foi embora com a chuva”, contou.
Desespero – Em uma das casas vizinhas, o registro de energia elétrica fica na parede, do lado de fora da casa, a meio metro do chão. Quando os moradores perceberam que a água poderia provocar um curto-circuito, caso invadisse o registro, começaram a colocar sacolas e panos, no intuito de tapá-lo e evitar o pior.
“Não suportamos mais isso. E o mais difícil é ver que o poder público culpa a gente pelo ocorrido. Eles dizem que a gente construiu nossas casas em cima do rio e, por isso, estamos colhendo o que plantamos. Isso não é resposta que se dê diante do nosso desespero. E nem sei se ficar tirando foto vai adiantar alguma coisa. Estamos descrentes. Vocês vêm aqui, batem foto, conversam com a gente, e mesmo assim ninguém faz nada”, disse José Antonio, morador da rua Epitácio Cafeteira, também atingida pela chuva.
Protesto – Na avenida Três, do bairro Tambaú, a situação também é grave. A força da água arrancou blocos de asfalto, derrubou muros de construções e atingiu casas. “Perdemos duas geladeiras, um computador, uma máquina de fazer velas, entre outras coisas. Estamos sem dormir até agora. A minha moto, que servia para eu trabalhar, não quer mais ligar, após ter ficado debaixo d’água”, disse Vilson Costa, morador da Casa 6, Qd-5, e fabricante de velas.
Diante do problema, os moradores bloquearam com pedaços de madeira as duas entradas da avenida Três. Segundo eles, o desbloqueio só ocorrerá quando as autoridades comparecem ao bairro, para discutir medidas com a população.
Ponte – As águas do rio Paciência chegaram também à estrada de São José de Ribamar e derrubaram parte do corrimão da ponte, que fica no cruzamento da avenida João Damásio Pinheiro.
De acordo com a meteorologista Rochelle Monteiro Silva, do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), as chuvas de março já contabilizam 646,5 mm, contando com a chuva da madrugada de ontem. Isso, segundo a meteorologista, significa um aumento de 53% em relação à média dos meses de março de 1961 a 1996, que é de 422 mm. “Este ano, São Luís já bateu todos os recordes. Para se ter uma idéia, no ano passado o registro das chuvas chegou a apenas 274,5 mm, e em 2006 a 272,25. E a tendência é que esse percentual aumente, já que o mês de abril sempre registrou um índice alto de chuvas”, afirmou Rochelle Monteiro.
(Da Redação)






