Os argumentos do deputado Alberto Franco não convencem ninguém. Uma aliança do Governo com o grupo político do senador José Sarney, neste momento, significaria apenas desprezo pelas lutas do povo e por seus ideais de Justiça. Aliás, um ato desses não se constituiria em simples aliança. Estaria mais para aro de tonel ou cercadura de barril.
As alianças podem e devem ser fundamentais à construção de um projeto político. Mas que aliança pode haver onde o ódio se combina com a desfaçatez. O ódio destilado por Sarney quando da vinda de Hugo Chávez ao Maranhão, quando não hesitou em comparar o governador Jackson Lago a personagem central de um espetáculo mambembe. Em outras palavras, um bobo da corte, um bufão. O senador José empenhou todos os esforços intelectuais de sua troupe para estigmatizar o governador com a imagem ridícula de uma marionete.
A desfaçatez é essa de quem, enquanto fala de alianças, escarafuncha os trbunais, especialmente o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, à busca da cassação de Jackson Lago, mesmo que com base em coisas ridículas como trechos de um discurso do ex-governador José Reinado Tavares.
Alberto Franco voltou fraco, muito fraco de sua recuperação. Ainda não está passando bem. Parece dúbio, inseguro das convicções que até ontem garantia ter, quando tenta unir o útil ao desagradável, ao degradável, ao deplorável. Enquanto compara os acontecimentos da Bahia e de Pernambuco ao que deveria ocorrer no Maranhão, seu patrono, José Sarney, descobre, na página 3 do jornal "O Estado do Maranhão", "experientes advogados brasilienses" a afirmar que o ex-governador Mão Santa foi cassado com 10% das provas que constam hoje no processo de Jackson Lago. Afinal, Sarney e Alberto Franco querem se unir ao governador ou pretendem cassá-lo?
O líder do Governo, deputado Edivaldo Holanda, parece ignorar um provérbio segundo o qual "quem fala muito dá bom dia a cavalo". Descobriu na encenação patética de Alberto Franco um pronunciamento corajoso e altruísta. E ele é o líder do Governo!
As alianças firmadas em torno da Frente de Libertação do Maranhão, estas, sim, deveriam ser permanentes, principalmente agora, nas eleições municipais, para que se enterre de uma vez por todas o sarneisismo no Maranhão. E se é fato que composições com os aliados nem sempre produzem os efeitos desejados, imagine-se com os que trabalham pelo desastre do Maranhão, pela queda do Governo e pelo fim de todas as esperanças sócio-democráticas de um povo! É quase como imaginar Osvaldo Cruz firmando alianças com o mosquito da dengue no Rio de Janeiro para conseguir uma epidemia que mate mais à noite que durante o dia. Tudo porque precisa descansar um pouco.
A fragilidade das alianças políticas pode ser percebida perfeitamente em discursos como esse. Tem gente por aí com medo de assombração, ligando para os caça-fantasmas. Talvez não seja de todo inútil lembrá-los dos imortais versos de Gonçalves Dias: a vida é combate que aos fracos abate, que os fortes e bravos só pode exaltar!
Talvez não seja inútil lembrá-los de que não pode dar certo uma aliança do ódio com a covardia.