CASO ISABELLA
Os advogados do pai e da madrasta da menina Isabella Nardoni, jogada do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo no último dia 29, acompanharam ontem, 16, os depoimentos de duas testemunhas de defesa. Depois, a defesa de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá afirmou que os relatos comprovaram a fragilidade da segurança no edifício onde a criança morreu e reafirmou que o casal é inocente.
Reportagem de André Caramante publicada pela Folha mostra que o casal deve ser indiciado pela morte da menina e que, depois, a polícia pedirá à Justiça a decretação da prisão preventiva de ambos. A decisão ocorreu depois que a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual confirmaram que Isabella foi agredida pela madrasta e jogada do sexto andar do Edifício London, na Vila Isolina Mazzei, pelo próprio pai.
Ontem foram ouvidas no 9º DP (Carandiru) 2 das 22 testemunhas indicadas à polícia pela defesa do casal. Além delas, mais de 50 pessoas já prestaram depoimento, como parte das investigações.
Após o crime, o casal afirmou que o apartamento havia sido invadido por um criminoso. A defesa também chegou a dizer que o assassino pode ter entrado no imóvel com uma chave perdida pelo casal.
"As duas testemunhas [ouvidas ontem] vieram comprovar a vulnerabilidade do edíficio London e a perda das chaves por Anna Carolina e Alexandre Nardoni. Vieram demonstrar que alguns de seus apartamentos ficavam abertos e expostos a qualquer pessoa que quisessem entrar", disse Ricardo Martins, um dos advogados do pai e da madrasta de Isabella.
Ele afirmou que, ao contrário de testemunhas que afirmaram à polícia ter presenciado discussões entre o casal, existem pessoas que comprovam a harmonia entre Nardoni e Anna Carolina. Ele também voltou a negar contradições nos depoimentos de ambos.
Defesa - O advogado disse que não comentaria sobre o indiciamento porque ainda não foi oficialmente informado sobre a decisão. Ele afirmou que o casal está "totalmente à disposição da Justiça" e que, intimados, comparecerão a depoimento.
Segundo Martins, os clientes defendem que são "absolutamente inocentes". Ele considera que enquanto os laudos não ficarem prontos, não é possível descartar a participação de uma terceira pessoa no crime.