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Editorial
Educação e sindicalismo

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Data de Publicação: 17 de abril de 2008
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A história da educação no Brasil registra que os portugueses trouxeram para cá um modelo próprio da Europa, quando a educação praticada pelos indígenas não tinha a marca repressiva desse modelo europeu. Além disso, os métodos pedagógicos dos Jesuítas duraram 210 anos, de 1549 a 1759, quando foram expulsos pelo Marquês de Pombal.

A partir daí levou tempo demais para que o Brasil se organizasse neste setor. Tanto que a primeira universidade brasileira só apareceria em 1934, na cidade de São Paulo, quando o ensino superior já chegara a muitos países.

Depois de um longo tempo de estagnação, os avanços na educação brasileira são visíveis nos dias de hoje. Pelo menos 1/3 da população do país freqüenta a escola. São mais de 2,5 milhões de professores e 57 milhões de estudantes matriculados.

Pesquisa PNAD-IBGE mostra uma queda muito sensível nos índices de analfabetismo a partir de 2002.. Em 1992 16,4% da população brasileira era analfabeta. Já no ano de 2002 eram apenas 10,9% da população. Em 2006, 97% das crianças de 7 a 14 anos freqüentavam a escola, sustentadas em programas como Bolsa Educação e programas de educação para jovens e adultos. Houve queda também na repetência escolar.

Apesar disso, estudiosos ainda lutam por um modelo de educação que forme pessoas não manipuláveis, nem condicionadas a um sistema de alienação, como prega Silvano Sulsart. Outros apostam que o resgate do senso crítico da sociedade deve se dar através da escola, caminho conforme estes, mais viável para libertar os povos menos afortunados.

Em tempos mais remotos, o imortal da ABL Arnaldo Niskier apontou a educação como o maior desafio do Brasil do presente e do futuro, e impulso objetivo para a redenção nacional. Mas há também aqueles que defendem uma educação inteiramente voltada para o progresso científico da nossa civilização, acreditando que o país que não se inserir neste quadro estará condenando a si e aos seus cidadãos ao fracasso e a miséria.

O número de escolas construídas e recuperadas no primeiro ano de mandato do governador Jackson Lago e a abertura de concursos para docentes e administrativos, mostra que seu governo absorveu bem tanto as lições da História como as exigências da modernidade.

Ao abrir um canal de diálogo permanente com os professores, inclusive para tratar de questões concretas como o Plano de Cargos Carreiras e Vencimentos, Estatuto do Magistério e eleições diretas para diretores de Escola, o governador apreende a lição dos indígenas na fase do descobrimento. E faz com que a educação, como um todo imprescindível que é, seja pensada de comum acordo com todos os interessados. Falta, talvez, a presença da representação estudantil e de representações outras do grupo Magistério, mas a simples presença de cinco secretários de Estado em audiência com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Maranhão, sinaliza para o fim do modelo unilateral de gestão.

A coexistência de projetos de educação com as lutas sindicais da categoria dos professores é fator de muita relevância para o modelo educacional que se pretende construir no Maranhão. E se este canal de diálogo é permanente, como fez questão de frisar o secretário Lourenço Vieira da Silva, podemos afirmar que o Estado está pronto para o desafio de que falava Arnaldo Niskier.

Não devem nunca sair da pauta de reivindicações dos sindicatos do magistério, (e já é hora de serem assimilados também pelos governos) pontos nevrálgicos como o ensino público e gratuito universal, garantia de qualidade da educação, valorização do trabalho do docente e mesmo a luta contra políticas de desvinculação de receitas que subtraem recursos do setor.

Todas as lutas são válidas, inclusive as que se contrapõem a mecanismos de diferenciação e discriminação salarial. O exercício da democracia participativa pode corrigir as distorções herdadas historicamente, ou por força do arbítrio, existentes na educação brasileira.

Nada demais se as mudanças no modelo educacional pré-existente começarem no Maranhão.

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