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Iate, um clube agonizante

Iate, um clube agonizante

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Data de Publicação: 13 de abril de 2008
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Em 1995, fui convidado por um amigo (José Mario Frazão) a participar do Campeonato de Pesca Amadora promovido pelo Iate Clube de São Luís. Ainda não pertencia à categoria de sócio-proprietário.

Relutei em princípio porque pescaria para pessoas como eu é muito mais que um simples esporte, e, principalmente quando competitivo, é uma oportunidade de estar no mar e ver nossas insignificâncias em querer ser único no Universo, querer ser a imagem de Deus, meu Senhor e meu Deus, fazer reflexões sobre a vida e rever nossas responsabilidades neste mundo provisório e que aos poucos estamos destruindo.

Além do mais, aos sábados era a oportunidade de eu e meu querido pai, Manoel da Cruz Evangelista, o Vangica, como é conhecido no Banco do Brasil pelos seus amigos de serviço, hoje aposentado, de irmos de carro até a Raposa e uma vez lá pegar um barco, a famosa biana, e, juntamente com alguns pescadores da região, navegar mar adentro em busca da aventura e do laser ofertado pela arte de pescar.

Pegar alguns peixes é muito bom, mas não o mais importante. Tempos depois se juntou a nós o meu primo irmão João Carlos, João Fo..., como os amigos íntimos o chamavam, hoje falecido. Saudades eternas. A questão dssas pescarias é outra história que espero algum dia escrever sobre nossas façanhas, uma verdadeira estória de pescadores, inclusive com direito a naufrágio.

Vamos voltar ao assunto objeto desta crônica; o Iate Clube. Aceitei o convite, entrei na equipe do barco Geripopoca, comandado pelo nosso amigo Luís Carlos. Assumimos o vice comando, e de terceiro ou quarto lugar na competição passamos a tricampeões.

Tempos bons; muitos passeios pelas nossas costas, reentrâncias e igarapés. Pescarias no alto mar, nas costas de Alcântara, viagens ao Parcel de Manoel Luís, várias embarcações puxadas pelo Inter II ao mesmo tempo. Festas do Divino, de São José, de Icatu, de Cururupu, pescarias na Pedra de Itacolomi, barro branco, Pirajuba. O Osvaldo, Carlos de Oitiua e eu estamos pensando em escrever sobre estes tempos. Dêem suas contribuições, senhores sócios do Iate que vivenciaram estes tempos e outros mais remotos.

Mas nem tudo é festa. Naquele tempo já havia um fantasma rondando o clube. O mesmo que destruiu o Jaguarema e o Cassino Maranhense; o fantasma da morte destes clubes e de muitos outros deste Brasil Continente: A senhora denominada Dívida e sua arma maldita do boliche; a bolo de neve. Dividas e problemas diversos, de Água, de Energia, de Iptu. Para com o SPU, para com o INSS e outras. Os montantes não sabemos.

Conheço todos os Comodoros de1995, até hoje. São todos meus amigos. Fiz parte da Diretoria desde então. Não faço críticas a nenhum, pois me considero parte integrante da equipe que entre acertos e erros vai levando e navegando um Iate Agonizante.

Sempre lutei pela necessidade urgente de tomarmos ações mais enérgicas e amplas e não pontuais como temos feito. A reformulação do estatuto do clube e sua legalização em conformidade com as novas diretrizes exigidas pelo código de leis foram grandes passos para podermos criar essas ações.

Poucos clubes no Brasil sobrevivem de receitas oriundas de mensalidades dos sócios. O nosso Iate não é um deles. De outrora, 750. Sócios, temos hoje aproximadamente 250. E destes apenas 150 pagam o clube em dias. Mensalidade cujo valor é de R$ 60,00 (sessenta reais). Bem aquém das despesas do clube.

Criticar é fácil. Resolver o problema é que é realmente difícil. Nas reuniões informais no clube, com representantes da diretoria, juntamente com os membros do Conselho do Clube e Sócios que ainda o freqüenta, temos sonhado algumas soluções, principalmente após algumas doses de whisky (uísque aportuguesado) ou cervejas, de acordo com a preferência dos consumidores. Nestas reuniões foi sonhado: aumento do salão de festas, aumento da área destinada a cozinha, construção de um restaurante climatizado, piers de embarques, quadras polivalentes, áreas cobertas para o setor náutico, clube de uísque e outros sonhos mais.

Impossíveis. Totalmente possível desde que tenhamos planejamento de curto, médio e longo prazos. Precisamos definir metas a alcançar e como alcançar. Precisamos sanar o Iate em conformidade com o instituído no estatuto e aplicá-lo. Não podemos de forma alguma, em respeito aos sócios em dias com as mensalidades, liberar mensalidades de inadimplentes. Contudo, sou contrário a clubes do Bolinha, porém, devemos tratar problemas de forma geral e não caso a caso .Na questão relacionada às dívidas dos sócios inadimplentes tenho proposto: aviso em jornais locais solicitando que todos os sócios e ex-sócios do clube, desde a sua criação, retornem ao clube e para tanto se faz necessário o pagamento da mensalidade atual e outra da inadimplência. Os sócios que não atenderem ao convite terão seus títulos definitivamente retornados ao patrimônio do clube.

Tenho outras ações a propor:

  • Abertura do Clube, através de convênios remunerados, com entidades representativas da sociedade ludovicense.

  • Parcerias com os artistas da música e do folclore maranhense

  • Restaurante aberto ao público.

  • Suspensão das vendas das cotas de sócio proprietário

  • Abertura para sócios contribuintes

  • Oferecer o clube para reuniões de negócios de empresários, de políticos, para Convenções, etc.

  • Parcerias e/ou convênios com secretárias e órgãos públicos e /ou privados

  • Parcerias com empresas promotoras de eventos e shows.

  • Controle da dívida com boletins mensais aos sócios proprietários

  • Parcerias com cronistas sociais

  • Programações de festas, dia das mães, dos pais, dos namorados, de serestas, juninas, de carnavais, de torneios de pesca, de velas, de dominó, xadrez e outros apresentado em calendário, em principio semestral e em seguida anual.

  • Atrair crianças para o clube,

  • Revitalizar o restaurante atual, nos fins de semana, com cardápios conhecidos dos sócios e demais freqüentadores.

  • Outras ações provenientes dos sócios do clube.

  • Fui surpreendido com a demissão do nosso muito querido amigo Tampinha. Soube através do programa do Cirilo. Só em legalizar o estatuto, podemos lhes dar parabéns. Foi um grande passo no sentido de ter dado ao Iate ferramentas legais para tentar sair dessa agonia.

    Está sendo cogitado propor em Assembléia a venda de parte do terreno do Iate. Sou terminantemente contrário a tal idéia, e se caso esta ação se fizer necessária, que seja para vender o clube no seu todo. A parte restante com certeza perde valor. E digo isto como eng. . Civil, pós-graduado em engenharia de avaliações e perícia.

    Devemos ter em breve, daqui a cerca de 30 (trinta) dias, eleições para o cargo de Comodoro e vice do clube, em virtude da demissão do Tampinha (Comodoro) e do Chicão (vice), conforme estabelece o estatuto em vigor. O presidente do Conselho, Manoel Francisco, assumiu provisoriamente o cargo. Um batalhador com larga experiência e conhecimento dos problemas do Iate. Foi sem dúvida um dos nossos melhores Comodoros. Tenho conversado e transmitido as minhas idéias de como revitalizar o clube. Não podemos continuar da mesma forma, isto é, administrações paliativas e com atitudes de tapar o sol com a peneira. Temos de encarar os problemas quando ainda dá tempo de pelo menos tentar resolvê-los.

    Antes de tudo, precisamos inserir nos sócios o desejo de dar continuidade ao clube e de voltar a freqüentá-lo. Caso contrário, por que não tomar as providências cabíveis para vender o clube no seu todo. Qualquer que seja o futuro Comodoro do Iate somente obterá êxito se tiver a união de todos e o desejo de compartilhar as ações planejadas para tirar o clube dessa agonia lenta e sufocante. Se os sócios não interagirem com a diretória, o Iate certamente terminará sendo leiloado devido à bola de neve das dívidas.

    O Iate Clube depende de todos nós sócios unidos para revitalizá-lo e somente nós temos o poder para pelo menos tentar.

    Poderei me candidatar com o apoio de minha mulher, filhos, neto, familiares, amigos. E se você me apoiar estará de acordo com estas minhas idéias. Caso não concorde, não vote em Deudedith. Pretendo ser um Comodoro com o objetivo único de enfrentar e tentar sanar o fantasma das dívidas e demais problemas existentes.

    Saudações de um sócio preocupado com o destino do Iate, Deusdedith

    Mande suas idéias e sugestões de como revitalizar o clube para o e-mail: deusdedith10@ hotmail.com

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