Numa sessão marcada por discursos inflamados, deputados de oposição criticaram a condução à força do ex-senador Chiquinho Escórcio, ocorrida na quarta-feira após discussão com o jornalista Lourival Bogéa. Eles classificaram como tendo sido fruto de abuso de poder e o líder do Bloco Parlamentar de Oposição (BPO), Ricardo Murad (PMDB), anunciou que o partido vai entrar com representações no Ministério Público contra o delegado Rodson Almeida e policiais envolvidos no episódio.
O primeiro a criticar foi o deputado Chico Gomes (DEM), ao afirmar que a partir de agora existe “o risco de que aconteça o mesmo com os pobres da periferia, com invasão de casas”, e disse que a medida seria uma forma de “atemorizar” as testemunhas no processo de cassação do governador Jackson Lago, uma vez que o ex-suplente de senador dá assistência aos advogados e testemunhas no caso.
“Vemos isto como uma forma de agredir um cidadão, levá-lo preso sem nenhuma culpa formada, sem nada”, declarou Chico Gomes, para quem mais do que arbitrário, o ato tem conotação política. “Sabemos que existe um medo do governo de que as coisas sejam julgadas”, disse, em alusão ao processo de cassação de mandato do governador Jackson Lago, que tramita na Justiça Eleitoral.
Em seguida o deputado Jura Filho (PMDB) foi à tribuna fazer críticas na mesma linha e cobrou do governo a apuração do episódio. O peemedebista também lembrou que quando foi vice-governador foi impedido pela polícia de entrar em seu próprio gabinete e assegurou que ações policiais desta natureza poderiam inibir a ação até dos próprios deputados.
O deputado Antônio Pereira (DEM) descartou conotação política no episódio, mas cobrou do governo um posicionamento em relação a questão e pediu que esses casos não sejam banalizados, a exemplo do que aconteceu também com o cantor Gerô, morto por agressões policiais.
Outro deputado que se manifestou foi Max Barros (DEM). O parlamentar disse que uma discussão pessoal não seria motivo suficiente para fazer a polícia, com veículo descaracterizado, e com grande aparato, prender uma pessoa, independente de sua posição social ou política. “Foi um atentado ao Estado de direito democrático”, assegurou.
Helena Heluy – “Eu venho à tribuna reafirmar o meu compromisso nesta luta contra o arbítrio daqueles que detêm o poder, quem quer que seja o alvo desta prepotência, desta ilegalidade. Foi um ato ilícito e ilegal também”, assim a deputada Helena Heluy (PT) classificou a prisão do ex-senador Francisco Escórcio. Ela fez questão de esclarecer que não declinaria os nomes dos envolvidos, mas que iria ater-se aos fatos publicados na imprensa, especialmente nos jornais O Estado do Maranhão e Jornal Pequeno, antagônicos por causa de suas orientações políticas.
Alertando que não queria “adentrar nos aspectos politiqueiros” dos fatos e que não tinha nenhum constrangimento em falar que o episódio da condução coercitiva estava sendo politizado, a deputada disse: “a mim não importa quem seja e todos os senhores são testemunhas desta minha conduta, aqui [na Assembléia Legislativa] –, mas trata-se de um ato extremamente constrangedor contra quem quer que seja”, avaliou a parlamentar.
Ricardo Murad – Mais exaltado do que os demais parlamentares oposicionistas, o líder do bloco de oposição na Assembléia, deputado Ricardo Murad (PMDB), disse que o episódio que envolveu Escórcio foi um ato político e que precisa ser apurado com todo rigor. “O governador Jackson Lago tem a obrigação de vir a público e se manifestar sobre o caso, mandando apurar tudo para que não pairem dúvidas sobre a sua responsabilidade neste caso”, disse Murad. O líder oposicionista disse que é inaceitável que autoridades usem o aparelho policial como polícia política, ao sabor de interesses partidários.
Ricardo Murad denunciou que tudo foi uma agressão arquitetada por Aderson Lago, Lourival Bogéa e com a aquiescência da secretária de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal.