É difícil crer na versão estapafúrdia do Sistema Mirante de Comunicação segundo a qual o jornalista Lourival Bogéa registrou uma queixa na Polícia contra o senhor Chiquinho Escórcio apenas porque este se recusou a cumprimentá-lo.
Não adianta querer escamotear a verdade. Escórcio foi conduzido coercitivamente à Delegacia pelo crime de desacato à autoridade, por adotar a velha postura do quero posso e mando, do "sabes com quem estás falando", tão comum ao autoritarismo dos coronéis que durante tanto tempo dominaram a política deste país. Não lhe custava nada participar de uma acareação com o jornalista para esclarecer os fatos registrados na ocorrência policial.
O que houve no Rio Poty Hotel foi a coincidência de se encontrarem dois homens públicos que adotam posturas bem diferenciadas na política do Maranhão, sendo que um deles, Chiquinho Escórcio, estressado, perdeu o equilíbrio e partiu para a tentativa de agressão.
Mais difícil ainda é aceitar o uso político que o Sistema Mirante faz desse acontecimento, tentando, mais uma vez, responsabilizar o Chefe da Casa Civil, Aderson Lago, e o próprio governador do Estado pelo desfecho de um incidente ocasionado única e exclusivamente pelo destempero do suplente de senador. O Jornal Pequeno, cônscio como sempre foi de suas responsabilidades, não cometerá o erro de afirmar que Sarney usou Chiquinho Escórcio para armar um escândalo e auferir dividendos políticos. Não que o senador não seja capaz disso, mas porque seria uma tolice do mesmo tamanho da que o Sistema Mirante de Comunicação comete.
É uma idiotia sem tamanho achar que esse episódio tem alguma coisa a ver com o processo que o 'Esquema Sarney' move na Justiça Eleitoral contra o governador do Maranhão.
O que se lamenta é que, enquanto o Jornal Pequeno adota a postura jornalisticamente correta, noticiando o fato sem sequer assumir a defesa de seu diretor, leal à informação e respeito ao leitor, o jornal O Estado do Maranhão deturpe os fatos descaradamente. Quer, por força, inocentar Escórcio e inculpar Lourival Bogéa alegando que a denúncia na polícia é fruto do que foi dito acima.
A decisão de fazer a acareação entre os dois homens públicos que se defrontaram, o que ameaçou e o que foi ameaçado, foi da polícia. O diretor do JP apenas usou sua prerrogativa de cidadão e registrou no foro devido, uma Delegacia, as ameaças físicas e a tentativa de agressão de que foi vítima. Se o preposto de Sarney não tem uma história de violência, como dizem, muito menos a tem o jornalista Lourival Bogéa. O que se admira é que Sarney, do alto de sua presunção de estadista, não oriente seus seguidores a agirem como devem agir todas as pessoas civilizadas diante de qualquer embate político. Como fez com os filhos, que agem, todos eles, com civilidade.