FELINTO RIBEIRO
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Em 13 de outubro, de 1924, foi assinado o contrato complementar com a Brightman e Company. Aos 30 de novembro, do mesmo ano, foi inaugurado oficialmente o novo serviço de bonde. Em 1926, foi fundado o Instituto Histórico de Geografia do Maranhão e, neste ano, assumia o governo o oficial da Marinha Magalhães de Almeida.
Em 1º de Abril, foi organizada a Ulen Menagement Company. Já em 1927 e 1928 começam, na imprensa e nas assembléias, as insatisfações contra os serviços prestados pela Ulen. Aos 15 de março, de 1928, foi assinado um contrato em que a Ulen Company assumia a administração dos serviços de águas e esgotos, luz e tração elétrica e prensa de algodão. No seguinte 14 de abril, foi firmado o contrato com a Bankers Trust Company de Nova York. Mas, no mesmo ano e no seguinte agravava-se a insatisfação pública.
Em 1º de março, de 1930, Pires Sexto assume o governo do estado, mas aparecem em praça pública oradores da Aliança Liberal, combatendo a exploração dos americanos e, em outubro, a Revolução Vitoriosa prega a necessidade de rescisão de contrato com a Ulen. Em 9 de outubro de 1930, assumiu o governo a Junta Governativa que afasta a Ulen dos serviços de administração e é decretada a prisão de Mr. Harry Isler, um diretor da Ulen.
Depois dos governos rápidos do major José Luso Torres e do Dr. Reis Perdigão, em 9 de janeiro, assumiu o governo do estado o interventor padre Astolfo Serra que reintegra a Ulen Company aos serviços do estado, em 10 de fevereiro, e foi feito um contrato de fiscalização de serviços. Sucedem-se no governo Joaquim Aquino Correia, Lourival Seroa da Mota, Américo Werneck e, em 29 de junho de 1933, assume o governo Antônio Martins de Almeida.
O comportamento político dos interventores, a partir de 1930, dava margem à interpretação de um relacionamento promíscuo entre o governo federal com reflexo junto aos interventores que se sucediam. Este relacionamento promovia a sangria de nossa economia sufocando o contribuinte maranhense com impostos extorsivos. O grau de revolta da sociedade chegou ao ápice, culminando com o assassinato do Mr. John Haroldo Kennedy, contador da Ulen e tio do ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy.
O trágico acontecimento teve o seu desenlace em 30 de setembro de 1933, por volta das 17h30, nas dependências do escritório da companhia. O autor do crime, um funcionário da empresa, José de Ribamar Mendonça, ex-bilheteiro da estação de bonde que fora despedido pela manhã. Esse crime teve enorme repercussão, extrapolando as fronteiras do nosso país, atingindo os interesses do governo americano.
O assassino foi preso em fragrante (Jornal do Comércio, Rio, 1º de Outubro 1933). Apenas este jornal do Sul do país registrou o acontecimento, enquanto jornais americanos davam grande destaque ao ocorrido (The New York Times, Evening Gazete). O jornal O Globo, quatro dias antes do evento, publicava uma matéria explosiva fazendo alusão ao contrato “O MARANHÃO ESTÁ PRESO AOS CONTRATOS DA ULEN MENAGEMENT COMPANY”, que administra os serviços de água, esgoto e prensa de algodão no valor de e cinqüenta mil dólares. Ora o empréstimo transformou-se num polvo que exauria todas as energias dos maranhenses, com os rigores das cláusulas leoninas e com as tramas de exigências judaicas. Mais de um terço da receita pública desaparece nos sorvedouros dos juros e amortizações periódicas. O interventor Martins de Almeida afirma: todas as bocas do Maranhão clamam a monstruosidade dos contratos feitos; aliás, com todas as formalidades legais. Que fazer? Sem dúvida alguma a situação é dificílima” (O Globo, Rio 25.09.33).
“O contrato da Ulen é um atentado à dignidade e à soberania de um povo”. Estas palavras fazem parte do texto do telegrama enviado pelo interventor Martins de Almeida para o presidente Getúlio Vargas. É impossível que estas palavras não tenham influído no espírito do empregado demitido. O interventor Martins de Almeida recebia diretamente o impacto da tragédia. O governo federal, ausente dos conflitos desencadeados no seio da sociedade maranhense, estava insensível ao clamor do povo.
Razões políticas determinaram o protelamento do cancelamento do contrato da Ulen. Por esta razão continuava em banho-maria procrastinando o desejo de um povo. Na intervenção da Embaixada dos Estados Unidos não havia objetivo de vingança contra José de Ribamar Mendonça e nem compaixão pela desventura de John Haroldo Kennedy. Era apenas a intenção de abrandar o ânimo de autoridades brasileiras. Cancelar o contrato da Ulen, nestas circunstâncias, seria uma frontal agressão contra nosso generoso aliado do Norte.