Sergio Lopes - EpNews
Aos 41 anos, Flávio Bauraqui comprou recentemente seu primeiro carro. Isso porque teve que tirar carteira de motorista por causa de seu personagem em Duas Caras, Ezequiel, que foi motorista de Ferraço, (Dalton Vigh), no início da trama. Antes, por pura opção, ele voltava de ônibus para casa depois do trabalho, e àqueles que o reconheciam pelo caminho, negava ser ator. "Entro numa van e conheço gente mais interessante do que numa festa badalada, É o povo que me interessa", conclui.
No lugar onde mora, uma pitoresca Ilha localizada na Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca, Flávio faz questão de conversar com todos que puxam assunto e é a simpatia em pessoa. Solteiro, mora em uma casa confortável, com um belo jardim, porém sem muito luxo. Sua história de vida impressiona, especialmente sua ligação com o teatro. Flávio se considera um autodidata, pois começou a atuar e produzir peças aos 15 anos, antes de fazer qualquer curso de interpretação. "Sou gaúcho, da cidade de Santa Maria. Cheguei ao Rio de Janeiro em 1993, com dez reais no bolso e sem ter onde dormir. Até que consegui um emprego de porteiro num condomínio da Barra e deixava sobre a mesa uma pasta com o meu material de trabalho de ator. Aquilo começou a chamar a atenção das crianças e eu virei professor de teatro delas. Tudo começou a mudar quando o capoeirista Beto Simas me viu atuando nos espetáculos com as crianças e me indicou para trabalhar com o André Paes Leme, que estava em busca de atores negros", conta o ator, que desde então já atuou em mais de 30 peças, com destaque para Obrigado, Cartola, em que fez o personagem-título e Elis ,Estrela do Brasil, em que interpretou Jair Rodrigues.
A fama veio em 2002, ano em que Flávio Bauraqui impressionou público e crítica na pele do travesti Tabu, do premiado filme Madame Satã. Depois disso ele já atuou em mais de uma dezena de filmes. Seu último trabalho lançado no cinema foi o personagem Charles, de Meu Nome não é Jonny. Na telinha está em sua segunda novela. Estreou como o designer de jóias Evaldo Rocha, em Paraíso Tropical. "Sempre fui muito resistente à televisão. Ator é um pouco medroso. Eu gosto do desafio, mas vou me borrando", confessa.
Quando a novela começou, algumas pessoas questionaram o fato de um ator tão bom fazer o papel de um simples chofer, mas o Autor Aguinaldo Silva guarda surpresas que têm Ezequiel como personagem - chave. Aliado de Maria Paula (Marjorie Estiano), o então pastor Ezequiel ainda vai revelar muita coisa sobre o Vilão Marconi Ferraço com suas visões. Por conta desse personagem, Flávio também ganhou notoriedade entre os evangélicos. "É uma loucura! Eles param para falar comigo e acreditam que também sou evangélico. Não adianta negar, dizer que é só um personagem, porque eles insistem em dizer que Deus tem um plano especial para mim e contam que choram e se emocionam muito quando Ezequiel lê a Blíbia", conta ele, que tem como característica marcante a entrega total a cada personagem, o que o torna mais do que convincente em qualquer papel.
Nos planos de Flávio estão atuações em mais filmes e peças de teatro, e também dar seguimento à sua carreira de cantor. Isso mesmo, ele adora cantar samba, e já mostrou que dá conta do recado. Paralelamente, está construindo uma casa para sua mãe, em Santa Maria, e sonha em ter um filho. "Já está na hora, mas tenho que escolher a mãe primeiro", brinca ele, que está solteiro.